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A mólecula do amor

Texto publicado originalmente na revista Vida Simples, edição de 12/2011.)

Mente: o desafio é fazer o elefante e o condutor conversarem

Livro recebido de presente vai para o topo da lista da cabeceira. Nunca me arrependo desta máxima em que resolvi apostar. Não foi diferente com “The Happiness Hypothesis”, de Jonathan Haidt (infelizmente sem tradução em português), que ganhei de presente de um amigo que conheci no TED Global, em 2010, em Oxford, na Inglaterra. Meio ano depois, tive a oportunidade de reencontrá-lo e falar para ele o quanto este livro havia transformado minha vida e o jeito de ver o mundo.

Haidt é um psicólogo que estuda a moralidade e as emoções ligadas à moral. Este é o pano de fundo do livro, que trata de 10 grandes ideias, uma para cada capítulo. Haidt descreve estas ideias com base no conflito diário que nossa mente trava entre o que ele chama de elefante e o condutor. A parte consciente da mente é o condutor, que tem apenas um controle limitado do elefante, o inconsciente. O desafio é fazer com que os dois trabalhem de forma integrada, controlando — ou tentando controlar — nossas reações.

Haidt acredita que hoje existem três maneiras de fazer a mente trabalhar de maneira diferente, ajudando pessoas com uma “constituição infeliz” a verem o mundo de forma mais positiva. Uma das três maneiras é uma prática milenar, a meditação. As outras duas são mais modernas: terapia cognitiva e Prozac. De certa maneira, apesar de uma delas ser remédio, para casos extremos, é reconfortante pensar que o bem-estar da mente e a felicidade dependem basicamente de três coisas que podem um dia estar ao alcance de todos. Mas talvez exista algo mais fácil e quase instantâneo.

Nos estudos que fez para o livro, Haidt descobriu o poder de conexão da oxitocina e foi lá a primeira vez que ouvi falar deste hormônio. O livro fala de um estudo que mostra como a oxitocina foi liberada em mães latentes mais do que o normal somente por verem um video inspirador de um músico que recebeu ajuda do professor para largar a vida de gangues de rua.

Até já havia falado aqui da oxitocina, mas a  boa nova é que agora a palestra do neuroeconomista Paul Zak está no ar (http://bit.ly/tpiAvx). Em pesquisas aprofundadas, Zak descobriu que a oxitocina se manifesta em relações de confiança. Ele fez testes envolvendo transferências de dinheiro, em casamentos e até em saltos duplos de paraquedas. Zak descobriu que quanto mais confiança, mais oxitocina, mais confiança… A oxitocina é liberada quando nos sentimos bem, quando nos sentimos parte de algo maior, quando a confiança está no ar.

Ao final de sua palestra, lembrou que existe um jeito muito fácil de fazer o corpo produzir oxitocina: por meio de abraços. Oito por dia, mais especificamente. Ele ainda brincou que é chamado de Dr. Amor por causa disso. Mas esta é uma brincadeira muito séria. O amor é a base da vida em sociedade, a base da confiança. É o sentimento que nos torna possíveis como grupo social. É o que em, última instância, nos faz feliz. Então, além da meditação, terapia cognitiva e Prozac, quem sabe abraços para nos sentirmos melhor?

(veja aqui a palestra de Paul Zak no TED)

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De novo: o PIB não é índice de progresso

Felicidade é mais do que um PIB gordo

Felicidade é mais do que um PIB gordo

Não é novidade que este blog é fã de Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos economistas (pensador) mais modernos destes trópicos, senão do mundo. Com sua brilhante simplicidade, Giannetti traz metáforas esclarecedoras sobre o modelo de desenvolvimento que temos baseado no crescimento e que traz  problemas como o das mudanças climáticas. No último 4 de setembro, o Estadão publicou uma entrevista excelente em que o economista repercutia a decisão de alguns bilionários pedindo para serem taxados para redistribuir renda. Mas este não era o ponto principal, e sim uma discussão sobre modelos de desenvolvimento, passando pelas decisões dos empresários, quase sempre de olho apenas no lucro, sem levar em conta como este lucro é obtido. E principalmente pela falta de visão da humanidade em geral para colocar na conta tudo o que é utilizado de recursos naturais para produzir o que consumimos. Vou reproduzir alguns trechos aqui:

A valorização do chamado ‘instinto animal do empresariado’ ainda tem lugar em uma sociedade que fala cada vez mais em sustentabilidade e consumo responsável?

Se tivermos que esperar a regeneração moral da humanidade para resolver o problema ambiental, estamos fritos. Ela não vai ocorrer. E quem imaginar que outro modelo econômico implantado de cima para baixo dará conta do recado, também está enganado. A pior experiência ambiental do século 20 é a da União Soviética. O que se percebe agora é que o mercado competitivo regido pelo sistema de preços padece de uma falha extremamente grave no tocante à relação entre o ser humano e o mundo natural. Ele não fornece uma sinalização adequada dos custos ambientais envolvidos em nossas escolhas de produção e consumo.

Explique melhor.

Por exemplo: vamos comparar duas opções de geração de energia elétrica. Na solar, na melhor tecnologia existente, o custo é de US$ 0,17 por quilowatt/hora. Ele está caindo e pode chegar US$ 0,10 nos próximos anos. Já uma termoelétrica a carvão gera um quilowatt/hora, igualzinho, por US$ 0,02 a US$ 0,03. Qual é a opção lógica de uma empresa que esteja no mercado ou de um país que queira ser competitivo? É o que a China está fazendo: termoelétrica a carvão. Só que essa comparação é tremendamente distorcida. E o custo da emissão de CO2 gerado pela queima do carvão? Não aparece na conta. É como se o custo imposto à humanidade e às gerações futuras não existisse. Outro exemplo: quando você come carne, paga a criação do gado, a pastagem, o transporte, a embalagem, mas não a emissão de CO2. Só que se você somar todo o rebanho mundial, bovino, suíno e aviário, a emissão de CO2 equivalente é maior do que de toda a frota automobilística do planeta. Os preços que pagamos pelo que fazemos não estão refletindo o custo total do que estamos consumindo. É essa a falha grave do sistema de preços a corrigir.

Essas coisas terão que custar mais?

Sim. O preço é um pacote de informação econômica: ele reflete, de um lado, o custo de produzir e, de outro lado, a satisfação que o consumidor tem ao consumir. Em nenhuma das duas dimensões hoje em dia está incorporado o aspecto meio ambiente, o uso de recursos naturais não renováveis, água, emissão de gases nocivos. Isso terá que ser incorporado. O problema é que se formos depender da boa vontade das empresas ou dos consumidores, isso não vai mudar. A British Airways introduziu recentemente, para o cliente de passagem aérea, a opção de pagar na emissão do bilhete o crédito de carbono correspondente ao trajeto. Imaginando que, como o mundo está aparentemente desesperado com o aquecimento global, os passageiros conscientes iriam aceitar pagar. Sabe qual foi a adesão? 3%. É a história do jovem Agostinho, que orava: “Dai-me, Senhor, a castidade e a virtude. Mas não agora”. (Risos.)

O sr. se alinha aos economistas que questionam o uso do PIB como índice de progresso.

É claro. Veja que coisa: se você vive em uma comunidade em que a água é um bem livre, como o ar que respiramos, isso não entra nas contas nacionais. Não há registro econômico. Se essa comunidade, ao contrário, polui todas as fontes de água natural e, para continuar sobrevivendo precisa purificar, engarrafar, distribuir ou importar água, o que ocorre com o PIB do país? Ele aumenta! É uma maluquice. A qualidade de vida piorou, você tem que trabalhar mais para beber água, e o sinal que a economia tal como é registrada emite é o de que a vida melhorou. Se você vai a pé para o trabalho, isso não entra no PIB. Mas se passa horas no trânsito, de carro, poluindo a cidade e prejudicando sua saúde física e, o PIB aumenta! Porque uma coisa que não era intermediada pelo sistema de preços passará a ser. As pessoas não têm noção de como os números distorcem a realidade.

Ter um cara como o Giannetti nesta trincheira é um grande alento. É como ter uma camisa 10 craque no seu time. O problema é que este pensamento ainda está fora dos grandes centros. É um jogo que não passa nos veículos de maior audiência – e portanto pouca gente ainda vê. Precisamos de mais Giannettis para este pensamento se tornar cada vez mais aceito e começar a fazer parte de movimentos maiores, como o do Butão e até da França, que querem incorporar a felicidade na maneira de medir o sucesso de um país — e não somente da economia, o velho e quase caquético PIB.

 

Veja aqui posts relacionados sobre PIB e Felicidade

Gerar mais valor para os acionistas ou jogar mais bola com a gurizada?

Só PIB maior não é receita de sucesso

No país mais feliz do mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O melhor de 2010 – parte 3

Tecnologia, redes sociais, felicidade, disposição de lixo e até travel writing (de 2009!) estiveram entre os textos mais acessados de 2010.

O Cala Boca Galvão foi um dos grande momentos da internet em 2010! Mereceu até referência de um dos maiores blogueiros sobre tecnologia e redes, o Ethan Zuckerman, na palestra que deu no TED Global, em Oxford. Foi um exemplar caso de impactos na reputação no mundo conectado em rede e sobre como interagir (e não “reagir”. Na ocasião, a Globo ficou em dúvidas sobre como agir enquanto o barulho aumentava na internet. Até que resolveram fazer o Galvão brincar com a história e a coisa deu uma acalmada.  A lição que ficou é a mesma para todas as empresas que estão tentando entender as redes sociais: mesmo que você não queira, você já está na rede, já há gente falando de você.

Outro post bem acessado em 2010 foi sobre as pistas falsas para a felicidade. Gosto muito de escrever sobre este tema e neste próprio post há vários links para outros posts sobre o mesmo assunto. Vale a máxima do Jabor para este assunto: “a vida gosta de quem gosta dela”. Para saber mais, vale ler o último post de 2010: “Em 2011, viva o lado positivo da vida”.

Segue mais uma leva de mais acessados e outras fotos ao final.

6. Comprar ou não comprar um iPad?

7. Por que o Cala Boca Galvão deu certo

8. As pistas falsas para a felicidade

9. Lixo seco ou úmido?

10. American Way of flying

Fiz esta e as quatro fotos abaixo no mesmo dia, em momentos diferentes, com um tripé. São Paulo também tem cores!

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Em 2011, viva o lado positivo da vida

É melhor sempre olhar para o lado positivo da vida

Em 2011, gostaria de melhorar isso, fazer mais daquilo e deixar de fazer isso ou finalmente parar de…

Em geral, as listas de ano novo têm a ver com fazer algo que fazemos pouco ou passar a fazer algo que não fazemos. Ou, como melhorar nossos pontos fracos. E quem disse que precisa ser assim? Que tal se a gente resolve focar em melhorar aquilo que já fazemos bem? Por que perder energia tentando melhorar algo que vamos precisar conhecer a fundo, que vai exigir dedicação e esforço (e talvez frustrações), quando talvez  a receita para a felicidade, que inclui um ano melhor, pode estar naquilo que já fazemos?

Ou seja, abaixo listas de ano novo pretensiosas e frustrantes! Nunca fiz nenhuma delas e (talvez por isso) sempre acho que meus anos foram bons. Excluindo as fatalidades da vida, acho que podemos, sim, fazer nossas escolhas e sermos felizes com elas. Ter consciência sobre a importâcia de escolher é meio caminho andado.

Acho que não por acaso, ontem mesmo encontrei menção científica a esta sensação. Foi no livro The Happiness Hypothesis, de Jonathan Haidt, uma espécie de bíblia para mim em 2010. Como diz o site do livro, não é um livro de autoajuda, mas se você quiser usar como tal, tudo bem? Usei mais como fonte para autoconhecimento do que qualquer outra coisa. Dica de um grande cara que conheci no TED Global, o Sandro, encontrei muitas referências bacanas para este blog e para o dia-a-dia.

 

O livro The Happiness Hypothesis: bíblia em 2010

Em 1998, um psicólogo chamado Martin Seligman fundou a Psicologia Positiva, quando ele caiu em si que a psicologia estava obcecada em identificar patologias e com o lado negro da natureza humana, deixando de lado tudo o que era virtuoso e nobre. Seligman viu que os psicólogos haviam criado manuais enormes de desordens mentais, mas ninguém havia criado uma linguagem ou padrão para identificar os grandes achados de saúde, talentos ou potenciais humanos. E aí ele resolveu criar um manual para diagnosticar forças e virtudes. Gênio!

Com o colega Chris Peterson, da Universidade de Michigan, fizeram uma lista exaustiva de todas as virtudes que conseguiram achar em lugares como os livros sagrados das principais religiões e até em juramentos de escoteiros. Compararam todas e tentaram chegar a uma lista comum. Acabaram achando seis virtudes ˜universais˜: sabedoria, coragem, humanidade, justiça, temperança e transcedência. São universais porque, como explica Haydt no livro, ninguém em nenhuma cultura irá dizer para os filhos serem covardes ou intrinsecamente maus.

Por serem um tanto abstratas, a análise destas virtudes permite uma visão mais aprofundada e que é usada para organizar forças de caráter mais específicas. Peterson e Seligman sugeriram que existem 24 princípios de forças de caráter dentro das 6 grandes virtudes. (Eles têm um site onde você pode fazer um teste, em inglês, sobre suas forças de caráter para ver quais você pode explorar melhor: http://www.authentichappiness.org)

Sabedoria

– Curiosidade, Vontade de aprender, Julgamento, Inventividade, Inteligência emocional, Perspectiva

Coragem

– Valentia, Perserverança, Integridade

Humanidade

Bondade, Amor

Justiça

– Cidadania, equidade, liderança

Temperança

– Autocontrole, Prudência, Humildade

Transcedência

Apreciação de beleza e excelência, Gratidão, Esperança, Espiritualidade, Perdão, Humor, Entusiasmo

Há quem sinta falta de algo e isso não é um problema, porque a lista é recente e ainda em desenvolvimento. Por exemplo, por que bom humor não está aí? Ou inteligência, respeito, senso de responsabilidade? A conversação está em aberto, mas o ponto principal na minha opinião é colocar luz nisto. Valorizar a metade cheia do copo.

Se tem algo que incomoda é a visão negativista da vida, gente reclamando, dizendo que não vai dar certo. Em 2010, mantive uma distância saudável destas visões de mundo. Não que eu não precisemos conviver com isso, afinal a diversidade é um dos grandes aprendizados da vida, mas certamente não irei procurar visões baixo-astral. Se a vida é feita de escolhas, então vamos escolher o que é bom, o que é legal. Gente de bem com a vida! Ou, como disse Jabor, a vida gosta de quem gosta dela!

A vida gosta de quem gosta dela!, disse Jabor no filme A Suprema Felicidade

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Everyday in Costa Rica is like a dream

Bob, garantindo a vida de sonho na Costa Rica

“Desde quando vocês vivem aqui?”- perguntei.

“Faz 5 anos e 3 meses”, respondeu Bob, de cabelo branco raspado e couro cabeludo esbranquiçado contrastando com a cor bronzeada da pele que reveste um corpo esquálido, com não mais do que 5% de gordura.

“Vocês vieram juntos?”, apontei para a filha, que separava fotos da sessão de ondas na Playa Negra, em um sofá confortável, de almofadas vermelhas revestindo a madeira nativa, emoldurados por uma enorme prancha de longboard que não deve entrar na água há um bom tempo.

“Ah, sim, eu, minha esposa, três filhos e duas netas!”

“E até quando vão viver aqui?”

“Até o último dia da minha vida”, respondeu com olhar seguro por trás de um óculos redondo de fino aro preto.

“Então, vocês gostam mesmo daqui!”

Pausa… Suspiro.

“Everyday in Costa Rica is like a dream”, respondeu em tom grave, solene e orgulhoso.

Bob encontrou seu espaço no paraíso. Quando saímos da água, sua filha, cujo nome ficou na Costa Rica, veio correndo até nós. Apontou para seu pai e disse: “temos boas fotos de vocês na sessão de hoje”. E nos entregou um cartão plastificado onde lia-se: Bob Stonefish Photography.

Depois das ondas, as fotos

Para os surfistas solitários, o pacote de fotografias custa 50 dólares. Nós, que estávamos em quatro, pagamos 20 dólares cada um. Levamos 350 fotos para casa.

Valeu, Bob!

“Eu e meu pai surfávamos juntos praticamente todos os dias lá em Oregon”, lembrou a filha.

Na beira da água quente da Costa Rica, Bob garante o sustento da família. A casa é simples e as netas brincam no jardim repleto de vegetação luxuriante típica da América Central.

Logo antes de Bob descer do segundo andar e dizer que todo dia na Costa Rica era como um sonho, sua filha ainda tinha dúvidas.

“Você gosta daqui?”, perguntei.

“Sim, este lugar é demais. Só fico preocupada com as oportunidades para minha filha. Ela não aprende nada na escola.”

“Mas ela só tem 5 anos!”- respondi.

“Sim, mas já podia estar aprendendo alguma coisa, como o ABC, números. Mas nem isso. Acho que vamos voltar para Oregon. Lá ela terá mais oportunidades.”

Qual o caminho para a neta de Bob?

Na hora de ir embora, a filha de Bob nos pediu uma carona até a praia, para brincar com a filha.Eram 2h da tarde. A menininha nos contou de seu dia-a-dia na escola, alternando entre inglês e espanhol. Tinha o cabelo loiro, lindos olhos verdes, pele alva. E não passou protetor solar. “Esqueci de trazer”, disse sua mãe. E este foi mais um dia de sonho na Costa Rica.

Everyday in Costa Rica is like a dream...

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Pura vida

 

O mapa da Costa Rica, que lembra um caranguejo

 

A preocupação com o meio ambiente está por todo o lado na Costa Rica. Desde no grip de papelão que envolve o copo de café quente a la Starbucks até na coleta seletiva, praticamente onipresente.

 

Ecogrip para segurar o café

 

 

Coleta Seletiva está por todo lado

 

Aqui está o maior percentual de parques de preservação por área total do país no mundo. 25% do país está protegido. As estradas quase sempre cortam áreas verdes. Estive aqui há 13 anos. Muita coisa mudou obviamente, mas o desenvolvimento não conseguiu tirar a beleza deste local. O sorriso do rosto, ao contrário, só aumenta.O que mais se escuta é Pura Vida, expressão que carrega um modo de viver, um jeito gostoso de olhar a vida.

Claro que nem todos têm a vida que gostariam. Há pobreza, sim, mas pelos lugares que tenho passado, é muito menos miserável do que na Nicarágua, por exemplo, vizinha que está seguindo os passos do país irmão mais ao Sul.

Há placas em inglês por todos os lados e o dólar é moeda corrente. Cerca de 2 milhões de estrangeiros visitam o país todo o ano.  Os gringos certamente trazem desenvolvimento a este local. O desafio será deixar intacto uma região que está somente a duas horas e meia de voo da Flórida. Hoje, na água, alguns ticos, como são conhecidos os costarriquenhos, falavam dos altos preços das casas na Playa Negra, uma das melhores para surfe por aqui. Falavam em casas que haviam sido vendidas por quase 1 milhão de dólares. O lugar está a cerca de 15km de Tamarindo e pode ser chamado de tudo, menos de desenvolvido. Há apenas algumas pulperias (armazéns) e um ou outro restaurante na beira da estrada. Há, claro, o campo de futebol 11, como se vê em quantidade inversamente proporcional ao futebol da seleção da Costa Rica. Um milhão de dólares é quanto custa ter uma casa grande e confortável no paraíso. E quando sentirem saudades de casa, ali em Tamarindo, a poucos quilômetros de distância, os americanos vão encontrar um restaurante Subway ou uma Pizza Hut.

 

Pura vida!

 

Acho que está é a concessão dos costarriquenhos para manter este lugar incrível. Afinal, um povo que acabou com o exército na década de 40 para investir em saúde e educação sabe muito bem sobre o que é importante para continuar se desenvolvendo sin perder la ternura jamás. Pura Vida!

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No país mais feliz do mundo

E aqui estamos novamente na Costa Rica. Em qualquer lugar que se vai é fácil de confirmar a fama e estudos que dizem que este é o país mais feliz do mundo. Basta pedir uma informação, circular pela rua, ser parado pelos policiais ou mesmo mostrar o passaporte na imigração para ver o sorriso estampado no rosto de qualquer um. Enquanto não escrevo mais por aqui (afinal, sobra pouco tempo para outras coisas que não surfar por aqui!), aí vão alguns links sobre felicidade e Costa Rica.

O que fizemos de errado?

O que faz um país feliz?

O que faz um país feliz – parte 2

TED Global – dia 1

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