As tendências do TEDGlobal 2011

Na edição de fevereiro da minha coluna na revista Vida Simples, fiz referência a uma apresentação que preparamos para as equipes da LiveAD e da Box1824 sobre as principais tendências que emergiram das mais de 50 palestras feitas no TEDGlobal 2011, em Edimburgo, na Escócia.

Resumidamente, eis as 5 principais tendências apresentadas:

1. A evolução da discussão sobre Transparência;

2. A visão sobre desigualdade social e a necessidade de criar oportunidades de desenvolvimento para todos;

3. A natureza humana, o espírito ciborgue e o avanço da tecnologia funcional para o corpo;

4. A eterna busca pelo melhor entendimento da mente;

5. O que vem pela frente em avanços tecnológicos e médicos.

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Os mais acessados de 2011

Pegaram até o Bin Laden em 2011

Parecia que não ia, mas 2011 acabou. O último mês foi incrivelmente intenso, não deu nem tempo de atualizar o blog. Mas para não deixar a tradição morrer, aqui vão os 20 post mais acessados de 2011. (Gostei do resultado final – a maioria dos mais vistos acessados são temas que fazem cumprir o objetivo deste blog, que é discutir assuntos relevantes e que podem impactar a maneira como vivemos no mundo. E já são mais de 53 000 acessos!).

Então, aí vai.

Top 10 de 2011

1. Gerar mais valor para os acionistas ou jogar mais bola com a gurizada?

2. A era da transparência – o novo Renascimento

3. 10 coisas que aprendi com o mar

4. O único lugar do mundo onde é ruim ter metrô

5. “Imagine se…”: o melhor do TED 2011 – parte 1

6. De onde vem tanta safadeza? Da moral de cuecas…

7. A superpotência do amor

8. O futuros dos TEDx

9. Transparência e diálogo: tendências do TED2011

10. É preciso saber cuidar

Hors concours

E aqui vão alguns posts que não foram publicados em 2011 mas estiveram entre os mais acessados (na verdade, os dois mais acessados de 2011).

A baleia Orca e a falta que faz a liberdade

Entenda o impacto da construção da usina de Belo Monte

 

Feliz 2012 para todos!

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Amazônia tóxica, o documentário

Zé Cláudio na frente da Castanheira (foto de Felipe Milanez)

Logo depois que o Zé Cláudio morreu, apesar de ter avisado no palco do TEDxAmazônia que isso ia acontecer, nosso amigo Indiana Jones, o jornalista Felipe Milanez, estava lá, onde Zé Cláudio morava, para ajudar os que tinham ficado. Tarimbado e frequentador assíduo da Amazônia, Felipe conhece a região como poucos. Conhecimento que foi bem aproveitado na realização do filme Amazônia, na série Toxic, da Vice. Aí está contada em alguns detalhes a história da morte de Zé Cláudio e sua esposa Maria, o aumento do arco de desmatamento, a viagem por quilômetros e quilômetros de estrada em áreas devastadas até o depoimento fascista de um deputado que acha que as pessoas que defendem a floresta estão atrapalhando o desenvolvimento do Brasil.

Enfim, um show de horror de dar vergonha alheia.

(Este documentário vem em boa hora no momento em que a discussão de Belo Monte está muito quente. Aliás, quem não viu, precisa conhecer a campanha abaixo do Movimento Gota D’Água. Muito bem executada e já com bons resultados!)

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27 metros – A maior onda já surfada

No mundo do surfe, existe uma busca para surfar uma onda de 30 metros. Uma onda de 100 pés, na métrica dos surfistas. São monstros oceânicos que só permitem serem cavalgados por meio do tow-in, uma técnica que possibilita que um surfista coloque o outro em uma onda por meio do jet-ski. Desta maneira, há velocidade suficiente para conseguir dar conta de deslizar mais rapidamente que a velocidade da onda — algo que não seria possível na remada.

No ano passado, um brasileiro, o Danilo Couto, ganhou o título de maior onda surfada na remada. O drop (descida na onda) que o fez ganhar foi uma insanidade. O palco era Jaws (mandíbulas), uma das ondas mais perigosas do mundo. Chamada de Pea’hi, em havaiano.

Danilo Couto desce uma onda de 20 metros na remada. Foto: Erik Aeder (revista Trip)

Nesta semana, Garrett McNamara, um cara nascido longe do mar, em Milwaukee, nos EUA, surfou uma onda calculada em 27 metros, a maior já surfada até agora. As imagens são impressionantes.

São de dar medo, mas ainda acho que o amigo de Garret, Laird Hamilton, surfou uma onda ainda mais cavernosa, esta abaixo, em Teahupoo, no Haiti. 

E o mais próximo que algum dia chegarei destas ondas gigantes surfando é por tabela, com meu amigo Pedro “Manga” Aguiar, a grande inspiração aquática deste blog. Manga estava em Teahupoo no maior mar já surfado por lá. Surfe gigante é um esporte diferente. Exige dedicação total. Não é coisa para final de semana. No ano 2000, passei dois meses com meu irmão e um grupo de mais 4 amigos surfando na Indonésia. Todos voltaram para suas vidas normais, mais cedo ou mais tarde. Menos o Pedro Manga. A vida normal dele é viajar pelo mundo, em busca das grandes ondas. A recompensa está abaixo. Põe pra baixo, Pedruglio!

Pedro Manga colocando para baixo em Teahupoo, no Taiti

 

>> Para quem quiser saber mais, vale a pena ler o livro “A Onda”, escrito pela jornalista Susan Casey, sobre aquecimento global e as incríveis ondas de mais de 30 metros que andam aparecendo por aí. 

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Qual o seu sonho brasileiro?

Os jovens brasileiros e a vontade de mudar o mundo colocada em prática.

Gosto demais da frase: “Existe um momento na história de uma nação em que ela está tão acordada, que começa a sonhar”. Faz todo o sentido para o momento que o Brasil vive.

Entre lá e conte seu sonho: www.osonhobrasileiro.com.br

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A revista é um iPad quebrado!

Este vídeo bombou na internet nos últimos dias.

Vale o registro aqui para quem ainda não viu. Quando se fala em “digital native”, é isso que se está querendo dizer.

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De onde vem tanta safadeza? Da moral de cuecas…

É sempre surpreendente a habilidade que os cartunistas têm de retratar o mundo com poucos traços.

Abaixo, Amarildo captou o maior paradoxo da sociedade brasileira. A culpa é sempre do outro. A culpa da corrupção é toda dos políticos, sem saber que a sociedade é formada por cada de um de nós, com nossas escolhas, principalmente as do dia-a-dia. 

Mais abaixo, o que os gaúchos chamam de “moral de cuecas”, a lição de moral de quem não tem moral para falar. 

A safadeza nossa de cada dia

 

"O que pretende fazer a respeito?"

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18 minutos que transformam

Paisagem lúgubre nas Highlands escocesas

Este foi o segundo texto da minha coluna na Vida Simples, publicado em agosto.

O abre é uma foto de Edinburgo. Para ver outras fotos deste álbum, vá no Flickr.

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“Por quê as falas do TED e dos TEDx têm apenas 18 minutos? Certa vez, o curador da conferência, Chris Anderson, respondeu que este é um tempo suficientemente longo para ser sério e curto o suficiente para prender a atenção das pessoas. Ele disse ainda que é uma duração que funciona muito bem em uma transmissão online. Hoje, temos cada vez menos tempo para dar conta de tudo que queremos ler, fazer, escrever, organizar.

A internet disponibilizou acesso e informações para um número cada vez maior de pessoas. Nossos amigos estão na rede, enviando ainda mais informações, compartilhando coisas que fazem no seu dia-a-dia. E mesmo quem não está na rede, certamente já foi convidado a entrar.

Com tanto para fazer online, raramente alguém encontra tempo ou paciência para ver um vídeo de 45 minutos ou mais na frente do computador. Mas 18 minutos, muita gente tem…

Este modelo de falas curtas do TED funciona porque a mensagem é forte e quase sempre cativante. Vale pensar nisso por um instante.  Em quantos eventos você já foi em que bocejou durante uma palestra maçante de 1 hora? E logo depois, ainda viria outra mais maçante ainda… Alguns amigos já disseram que a vantagem de uma fala do TED é o fato de que se for muito legal, 18 minutos podem até parecer pouco, mas satisfazem. Mas se for chato, vai acabar logo.

Como são mensagens bem empacotadas, com altas doses de conhecimento, quando encadeadas, as falas do TED e TEDx têm uma força avassaladora. As conferências do TED multiplicam o impacto das falas individuais. No ano passado, fui pela primeira vez a uma conferência oficial do TED, em Oxford, Inglaterra. Lá, uma das pessoas da equipe da conferência disse que o cérebro iria fritar. Foi o que aconteceu no início do terceiro dos quatro dias de palestras (cerca de 50 no total). Coisas que não fizeram sentido naqueles dias fizeram algumas semanas depois. Não tanto na seguinte, quando não consegui nem trabalhar direito.

Alguns meses depois, tomei a decisão de sair do meu emprego, ouvindo a minha intuição. Certas falas daquele evento em Oxford foram marcantes para isso: Nic Marks, Tim Jackson, Julian Assange, Sugata Mitra, John Hardy – procure estas palestra em TED.com)

Nem pouco, nem muito, 18 minutos, cada um do seu jeito, quando bem aplicados podem ser transformadores.

(Quando você estiver lendo esta coluna, já terei voltado de Edimburgo, onde acontecerá o TEDGlobal. Certamente, voltarei um pouco diferente.)”

 

 

 

 

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De novo: o PIB não é índice de progresso

Felicidade é mais do que um PIB gordo

Felicidade é mais do que um PIB gordo

Não é novidade que este blog é fã de Eduardo Giannetti da Fonseca, um dos economistas (pensador) mais modernos destes trópicos, senão do mundo. Com sua brilhante simplicidade, Giannetti traz metáforas esclarecedoras sobre o modelo de desenvolvimento que temos baseado no crescimento e que traz  problemas como o das mudanças climáticas. No último 4 de setembro, o Estadão publicou uma entrevista excelente em que o economista repercutia a decisão de alguns bilionários pedindo para serem taxados para redistribuir renda. Mas este não era o ponto principal, e sim uma discussão sobre modelos de desenvolvimento, passando pelas decisões dos empresários, quase sempre de olho apenas no lucro, sem levar em conta como este lucro é obtido. E principalmente pela falta de visão da humanidade em geral para colocar na conta tudo o que é utilizado de recursos naturais para produzir o que consumimos. Vou reproduzir alguns trechos aqui:

A valorização do chamado ‘instinto animal do empresariado’ ainda tem lugar em uma sociedade que fala cada vez mais em sustentabilidade e consumo responsável?

Se tivermos que esperar a regeneração moral da humanidade para resolver o problema ambiental, estamos fritos. Ela não vai ocorrer. E quem imaginar que outro modelo econômico implantado de cima para baixo dará conta do recado, também está enganado. A pior experiência ambiental do século 20 é a da União Soviética. O que se percebe agora é que o mercado competitivo regido pelo sistema de preços padece de uma falha extremamente grave no tocante à relação entre o ser humano e o mundo natural. Ele não fornece uma sinalização adequada dos custos ambientais envolvidos em nossas escolhas de produção e consumo.

Explique melhor.

Por exemplo: vamos comparar duas opções de geração de energia elétrica. Na solar, na melhor tecnologia existente, o custo é de US$ 0,17 por quilowatt/hora. Ele está caindo e pode chegar US$ 0,10 nos próximos anos. Já uma termoelétrica a carvão gera um quilowatt/hora, igualzinho, por US$ 0,02 a US$ 0,03. Qual é a opção lógica de uma empresa que esteja no mercado ou de um país que queira ser competitivo? É o que a China está fazendo: termoelétrica a carvão. Só que essa comparação é tremendamente distorcida. E o custo da emissão de CO2 gerado pela queima do carvão? Não aparece na conta. É como se o custo imposto à humanidade e às gerações futuras não existisse. Outro exemplo: quando você come carne, paga a criação do gado, a pastagem, o transporte, a embalagem, mas não a emissão de CO2. Só que se você somar todo o rebanho mundial, bovino, suíno e aviário, a emissão de CO2 equivalente é maior do que de toda a frota automobilística do planeta. Os preços que pagamos pelo que fazemos não estão refletindo o custo total do que estamos consumindo. É essa a falha grave do sistema de preços a corrigir.

Essas coisas terão que custar mais?

Sim. O preço é um pacote de informação econômica: ele reflete, de um lado, o custo de produzir e, de outro lado, a satisfação que o consumidor tem ao consumir. Em nenhuma das duas dimensões hoje em dia está incorporado o aspecto meio ambiente, o uso de recursos naturais não renováveis, água, emissão de gases nocivos. Isso terá que ser incorporado. O problema é que se formos depender da boa vontade das empresas ou dos consumidores, isso não vai mudar. A British Airways introduziu recentemente, para o cliente de passagem aérea, a opção de pagar na emissão do bilhete o crédito de carbono correspondente ao trajeto. Imaginando que, como o mundo está aparentemente desesperado com o aquecimento global, os passageiros conscientes iriam aceitar pagar. Sabe qual foi a adesão? 3%. É a história do jovem Agostinho, que orava: “Dai-me, Senhor, a castidade e a virtude. Mas não agora”. (Risos.)

O sr. se alinha aos economistas que questionam o uso do PIB como índice de progresso.

É claro. Veja que coisa: se você vive em uma comunidade em que a água é um bem livre, como o ar que respiramos, isso não entra nas contas nacionais. Não há registro econômico. Se essa comunidade, ao contrário, polui todas as fontes de água natural e, para continuar sobrevivendo precisa purificar, engarrafar, distribuir ou importar água, o que ocorre com o PIB do país? Ele aumenta! É uma maluquice. A qualidade de vida piorou, você tem que trabalhar mais para beber água, e o sinal que a economia tal como é registrada emite é o de que a vida melhorou. Se você vai a pé para o trabalho, isso não entra no PIB. Mas se passa horas no trânsito, de carro, poluindo a cidade e prejudicando sua saúde física e, o PIB aumenta! Porque uma coisa que não era intermediada pelo sistema de preços passará a ser. As pessoas não têm noção de como os números distorcem a realidade.

Ter um cara como o Giannetti nesta trincheira é um grande alento. É como ter uma camisa 10 craque no seu time. O problema é que este pensamento ainda está fora dos grandes centros. É um jogo que não passa nos veículos de maior audiência – e portanto pouca gente ainda vê. Precisamos de mais Giannettis para este pensamento se tornar cada vez mais aceito e começar a fazer parte de movimentos maiores, como o do Butão e até da França, que querem incorporar a felicidade na maneira de medir o sucesso de um país — e não somente da economia, o velho e quase caquético PIB.

 

Veja aqui posts relacionados sobre PIB e Felicidade

Gerar mais valor para os acionistas ou jogar mais bola com a gurizada?

Só PIB maior não é receita de sucesso

No país mais feliz do mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Temos jeito, sim

O resgate da civilidade? foto: Agencia Estado

Outro dia, quis enviar uma frase para um amigo para ajudá-lo a passar um momento difícil e fui na minha coleção de frases destacadas dos livros. Acabei esbarrando em um aforismo genial.

Esta frase fez especial sentido ao ler hoje de manhã a notícia de que a presidente Dilma Rousseff está em plena lua-de-mel com o governador de São Paulo Geraldo Alckmin. (Leia matéria aqui no Estadão.)

Há quem diga que isso é extremamente interesseiro de ambas as partes. Isso porque Dilma precisa de um alívio da oposição neste momento em que perde apoio da base aliada em função da limpeza que promove em quatro ministérios e porque Alckmin quer levar dinheiro do governo para seus projetos.

Independentemente disso, vejo isso como uma demonstração de maturidade. Principalmente porque estamos falando do combate a miséria. Como diz a matéria:

Alckmin e Dilma firmaram acordo de unificação dos programas de transferência de renda paulista e federal. Os beneficiados, cerca de 1 milhão de famílias, terão um mesmo cartão para sacar os recursos do Bolsa Família, do governo federal, e do Renda Cidadã, do Estado.

Assim como no momento em que FHC passou a faixa para Lula em 2002 – mesmo que no segundo seguinte já tenha começado a ser bombardeado sobre herança maldita – esta busca de entendimento tem como pano de fundo a união de ideais na construção de um Brasil melhor. A carreira política para mim é um tanto binária nas motivações: 1) você está lá para isso, para servir a uma causa, ao seu País ou 2) você está lá para servir a sua causa, valorizar os seus próprios interesses.

Obviamente, há tons de cinza no meio da história e às vezes é preciso ceder para chegar onde se quer (alguns utilizando valores morais como critério, outros valores financeiros…), mas a motivação inicial vai continuar sendo uma das duas – e você vai persegui-las, desviando dos obstáculos no caminho.

Quando a presidente Dilma manda para casa ou inviabiliza a permanência de ministros que pedem demissão, vejo-a a serviço de uma causa. Não votei nela e tinha muito pouca esperança no que ela poderia fazer à frente do governo, mas preciso confessar que estou muito positivamente surpreendido.

São de pequenos sinais que precisamos para construir um país mais decente para se viver. Reconhecer o trabalho bem-feito de quem foi peça-fundamental na construção deste Brasil cheio de oportunidades que temos hoje faze parte disso. Foi o que Dilma fez na comemoração de 80 anos de FHC. Mandar sinal de que não tolera corrupção em troca de apoio em votação no Congresso é também outro sinal.

E isso, não tenho dúvida nenhuma, influencia a atitude dos cidadãos. Há cerca de 15 dias, Gilberto Dimenstein capturou muito bem um sua coluna na Folha de São Paulo um momento de resgate da cidadania que estamos passando no Brasil. A campanha em São Paulo para respeitar a faixa de pedestres (com multas, sim, mas isso faz parte) é um bom exemplo. Agora à noite fui parado numa blitze de direção segura, soprei o bafômetro e por sorte o vinho do almoço já tinha zerado no organismo. Fazia cerca de três anos que não passava por isso em São Paulo. A proibição do fumo em restaurantes é outro exemplo. Quem reclama hoje de uma medida assim, vai olhar para trás daqui a três anos assim como olhamos para o fato de que era permitido fumar em aviões!

Enfim, acho que temos jeito, sim. Podemos ser um país civilizado. As pessoas que acham bonito atravessar na faixa na Europa e nos Estados Unidos não vão mais esquecer que os pedestres daqui são iguais a elas quando são turistas em férias.

É dever de cada um de nós respeitar as regras básicas de convivência. Assim como é o de votar e exigir os direitos como cidadãos. E aí deixo aqui a frase que mencionei no início do texto:

“O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam”- Arnold Toynbee.

Florença, berço de Maquiavel. Foto: Rodrigo V Cunha

Pouco interessa, para alguns, o que os políticos estão fazendo. No caso da aproximação de Dilma e Alckmin, por mais Maquiavélica que seja, vejo mais do que um tom episódico. Vejo um instantâneo de um momento épico pelo qual passamos como nação. Com o ideal de um país melhor atropelando a mesquinhez humana, que tanto aparece na política, que no fundo é a essência da nossa alma. A política. Quer gostemos dela ou não.

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