Novembro 9, 2009

Facebook na vida real

Já existem alguns livros para falar do segredo do sucesso do Facebook, tentando desvendar as fórmulas mágicas (veja post antigo mais abaixo) para fazer o negócio ser o sucesso que é. As redes sociais (Orkut, Twitter, MySpace, Plaxo, LinkedIn) tiveram o mérito de encontrar maneiras de as pessoas conversarem entre si com frequencia, apesar da distância e do dia-a-dia atribulado da vida moderna.

Na Enterprise 2.0 Conference, em São Francisco, ouvi muita coisa diferente e relevante sobre como esse novo mundo está se apresentando para as empresas. Em uma das sessões, o palestrante (Gentry Underwood, da IDEO – @gentry) me chamou bastante a atenção quando disse que o ponto da colaboração não é o de ensinar as pessoas a usar o computador, mas facilitar a interação de pessoa para pessoa usando o computador.

Na mesma palestra, ele mostrou o vídeo abaixo, genial. É uma simulação de Facebook na vida real. O sujeito chega, bate na sua porta, diz que te conhece do colégio há trocentos anos e pergunta se pode ou não ser seu amigo. Em seguida, pede a confirmação: “confirma ou ignora”! E assim por diante. É hilário. Coloco aqui para mostrar que o Facebook conseguiu trazer sentido para o ambiente, facilitando a interação de pessoa para pessoa, usando o computador. Fora desse ambiente, seria ridículo. Assim como é ridículo, como em qualquer situação da vida, usar a ferramenta de modo errado. Mancada é mancada em qualquer lugar.Assim, é bom sempre lembrar que gafe não pergunta se é online ou offline.

Veja o vídeo de uns caras chamados Idiots of Ants e depois clique no link abaixo para ver incríveis gafes no Facebook (em inglês).

Veja aqui as gafes no Facebook

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Novembro 8, 2009

Paredes e vitrines de San Francisco

São Francisco

Com câmera nova na mão, fiz algo que gosto muito, mas que raramente acho tempo para fazer: tirar fotos erraticamente por cidades.

Em São Francisco, consegui explorar dois bairros dessa maneira, Mission, comunidade de latinos (preciso confessar que me senti em casa com a bagunça e com as pessoas cruzando olhares!) e Nob Hill, bairro que começou a receber os ricos da cidade depois que o bondinho (cable car) ficou pronto.

As máscaras de bruxas estavam em toda a parte, assim como as pinturas na parede. No bairro Mission, principalmente. Muitas mensagens de sustentabilidade, ecologia e consumo local, reforçando a fama progressista da cidade. E até pinturas no chão, retratando o cosmopolitanismo de uma cidade nem tão grande assim, cerca de 800 000 habitantes, sem contar as cidades satélites.

São Francisco recebe de braços abertos.

Novembro 6, 2009

São Francisco, bege e outras

Tirava a foto e algo estava estranho. Os tons eram sempre de bege. Mexi na luz, mexi na lente e mexi na câmera. Continuou estranho. E não poderia ser diferente. Vista de Mission Dolores Park, San Francisco é bege. Uma cidade grande, bege. E não cinza.

São Francisco, cidade grande e bege

E também azul, para pássaros equilibristas.

Passáros equilibristas em 25th St, São Francisco

E também de cores quentes do pôr-do-sol.

Pôr do sol no Pier 39, São Francisco

E do prata da lua também.

Lua nascendo no Pier 39, São Francisco

Novembro 5, 2009

Evolução 2.0

Dois dias de imersão total na chamada Empresa 2.0 estão queimando meus neurônios. Além de ser uma enxurrada de novas informações, é tudo em inglês, com direito a cobertura no Twitter. Somando com as seis horas de diferença de fuso de São Paulo para São Francisco, o resultado é que no final do dia não sobre ‘cabeça’ para pensar. Mas, vamos lá, sou brasileiro e não desisto nunca. E cá estou para escrever o blog, com o estômago roncando e pedindo para descer logo para o restaurante do hotel. Rapidinho, vamos lá.

Em uma das apresentações de ontem, a da IDEO, uma das melhores, o sujeito mostrou essa imagem abaixo. É uma metáfora perfeita para as mudanças que esse jeito de olhar a empresa vai trazer para o dia-a-dia de todos, principalmente dos consumidores, que estão na linha de frente dessa cobrança às empresas.

Evolução 2.0...

De tudo que ouvi, há muita coisa para digerir ainda, mas a grande sacada é que a Empresa 2.0 é um jeito de fazer em que a colaboração é central para facilitar o relacionamento entre as marcas com os consumidores.

Algumas visões sobre isso que emergiram das apresentações:

  • A primeira onda da internet foi para criar as possibilidade de comunicação e interação. A segunda onda é para maximizar a comunicação, via colaboração.
  • As iniciativas estão saindo dos repositórios de informação para os espaços de colaboração. Passa de “gestão de conhecimento” para “facilitação de fluxo de conhecimento”.
  • A colaboração não é uma questão de idade, mas sim de relevância. Em muitas das empresas, ficou claro que havia a participação de todos, do estagiário aos executivos-sêniores.
  • A colaboração ajuda a quebrar os silos das empresas. Como o problema no mundo 1.0 esteve sempre entre as áreas e não nas áreas, as oportunidades que se abrem aqui são incríveis.
  • As pessoas e o jeito de trabalhar estão se transformando independente de a empresa ajudar ou não nisso. Todos querem ter mais voz, reconhecimento e oportunidades de participar. Isso está acontecendo principalmente em função das tecnologias.

Lá vem mais um grande movimento pela frente. Com todas as oportunidades que se apresentam. Estamos falando muito (no mercado como um todo) em ‘redes sociais’, como se elas estivessem descoladas das empresas. Não. Redes sociais são os ambientes  em que as empresas terão que interagir cada vez mais. Com muita transparência e colaboração.

Novembro 3, 2009

Empresa 2.0 é um caminho sem volta

Começou hoje a Enterprise 2.0 Conference, em San Francisco (EUA).  (Para quem quiser acompanhar no Twitter @rodrigocvc, a hashtag é #e2conf). Trata-se de um encontro sobre a chamada Empresa 2.0, já na 4ª edição, em que os painelistas apresentam e discutem com a plateia o que de melhor está acontecendo nesse mundo. O conceito ainda é novo, surgiu com um paper de Andrew McAfee, professor de Harvard, chamado “Enterprise 2.0: The dawn of emergent collaboration”. Nele, McAfee mostra que as empresas estão tentando entender as grandes mudanças que estão acontecendo. A principal delas, mais evidente, é que a maneira de fazer negócios está passando do controle das instituições para o controle dos consumidores. Esse conceito foi o tema central do workshop de Dion Henchcliffe, da Henchcliffe & Co, um dos pioneiros no estudo e na implementação dessas ferramentas. O ambiente que possibilitou o surgimento dessa prática de negócios é formado pelos seguintes itens:

  • Crescente criação de valor por parte das redes;
  • Controle cada vez menor dos executivos sobre seus próprios negócios;
  • Mudanças nos conceitos de propriedade intelectual impactando as formas de fazer negócios;
  • Aumento na transparência e abertura dos negócios;
  • Revisão na atuação das cadeias de fornecedores em relação ao negócio, dos processos de criação baseados em comunidades e nos próprios relacionamentos.

São mudanças dramáticas que impactam profundamente na maneira de fazer negócios. Selecionei abaixo algumas questões/reflexões que dão pano para manga e servem para levantar os principais desafios de implementação.

  1. Como garantir que todos estejam a bordo?
  2. O custo real é o do tempo das pessoas. Às vezes, o custo para implementar em software pode ser baixo ou mesmo zero se for um programa aberto.
  3. A maior dificuldade é a mudança cultural. É um problema de pessoas, e não tecnológico. Um dos tweets sobre a conferência foi preciso: “É uma questão de sociologia, e não de tecnologia.”
  4. A rede é o grande lugar para se estar hoje. É onde estão os consumidores, competidores, colaboradores, idéias e inovação. Em contrapartida, existem poucas estratégias de sucesso comprovadas. Ou seja, é o lugar ideal para inovação, experimentação que trará frutos positivos para os pioneiros. 
  5. O conceito de Empresa 2.0 precisa se adaptar ao ambiente e não o contrário.

Ao final Hinchcliffe apresentou um checklist, baseado na experiência dele, com premissas para implementar estratégias bem-sucedidas de Empresa 2.0. Ele chamou de F.L.A.T.N.E.S.S.E.S., que explico a seguir:

Freeform (Forma livre) – são necessários softwares facilmente adaptáveis para uso das empresas, apoiados no conceito de Open Source (código aberto, como Linux e Open Office, similar ao Microsoft Office), totalmente reprogramáveis.

Links – é preciso conectar as pessoas e o dar sentido, possibilidades e associações ao conteúdo para alavancar o potencial da informação.

Authorship (Autoria)– é preciso dar acesso total a todos os colaboradores para que façam parte do jogo

Tagging (Classificação) – considerado menor por alguns, o conceito de classificação ajuda a organizar o conteúdo, expandindo as possibilidades e facilitando o acesso ao conteúdo.

Network oriented (orientado para redes) – utilização de pequenos módulos baseados na rede, reusáveis e facilmente conectáveis

Extensions – uso de extensões para ampliar o alcance do conhecimento, identificando padrões e atividades dos usuários

Search – tratar de forma séria a busca para ampliar as possibilidade de descoberta e reuso da informações, aumentando as possibilidades de retorno do investimento

Social – proporcionar um ambiente não-hierárquico e transparente

Emergence (emergência) – estar atento ao ambiente altamente dinâmico e sujeito a adaptações constantes de rota

Signals – o conteúdo precisa chegar para as pessoas de forma estruturada, como notificações por e-mails, lista de atividades no site, páginas customizáveis etc.

Esse é o contexto, o que se aprendeu até agora. Como pano de fundo, ficou uma grande questão ainda não foi resolvida: qual o retorno sobre o investimento (ROI)? Segundo Hinchcliffe, os custos desses projetos tendem a ser menores que os ‘esforços clássicos de TI”. A lógica para justificar a adoção dos conceitos de Empresa 2.0 é a seguinte: se o investimento é baixo, o retorno é mais fácil de ser atingido. A grande pergunta é: como conseguir esse retorno?

Acho que esse, depois do desafio de implementar e garantir que a comunidade permaneça ativa é  o maior que teremos pela frente. A certeza que fiquei depois desse workshop é que esse é um caminho sem volta. Mais sobre isso nos próximos dias.

Novembro 2, 2009

American Way of flying

A bit of American Way of life today. Um brioche cheio de açúcar, com uma manteiga para passar no pão. Três pedaços de fruta. Melancia, melão e laranja. Mas podia ser laranja, melancia e melão –  o gosto era quase igual. Chafé no lugar de café. Tinha esquecido como é ruim esse costume de colocar muita água para pouco café. E fome para passar na alfândega. Como em qualquer aeroporto do mundo (ainda vão inventar um design inteligente – não criacionismo, pelo amor de Deus!), filas na imigração.

- O que vc vai fazer nos Estados Unidos?

- Onde você vai ficar?

- Até quando vai ficar?

- O que você faz no Brasil?

- Já esteve aqui antes?

- Quando foi a última vez?

A tensão paira no ar. É preciso concentração para não gaguejar.

Pá, pá, pum (sons de carimbo). Passaporte jogado na bancada. E um seco “Have a good Day.” “Thank you. Bye.” Não fui capaz de desejar um bom dia a ele. Até que deveria, mas tenho a impressão de que não ia fazer diferença…

Uma caminhada até a área de bagagens. Os carrinhos são bem melhores e inteligentes que os brasileiros. Uma rodinha só na frente faz uma grande diferença na agilidade. Hello, alguém aí da Infraero já pensou nisso antes?

Um cachorro dentro de uma gaiola late desesperado pelo dono. Sorte (ou azar) dele que não precisa passar pela imigração. Dois caras chegam, param ao lado do cachorro e perguntam. “Are you ok, buddy?” E pegam uma maleta verde, grande, pesada e dão tchau para o cachorro. Três passos depois, e o bicho já está latindo de novo.

Logo na saída da área de coleta de bagagem está o ‘recheck’. E lá vai a mala de Dallas para San Francisco.  Queria ser a mala agora, assim não precisaria passar pela segurança de vôo.

O banheiro com a água quente de sempre. Não posso regular. E se eu quiser água fria? O quanto se gasta de energia para aquecer a água que eu nem quero quente?

Do banheiro para o portão C21. Procedimento de segurança. Laptop separado. Líquidos num saco plástico. Policial negra com olhar fixo no meu. Faço cara de tranqüilidade e tiro meus tênis. E o cinto. E o relógio. E o blackberry. E, por fim, a jaqueta. Laptop em uma bandeja com relógio e cinto. O americano atrás de mim aponta o sinal na minha frente. Meu filho de 5 anos entenderia mais fácil e rápido do que eu. Laptop em uma bandeja em uma imagem. E na outra um laptop, com relógio e celular. Com um ‘x’ bem grande de proibido. Mais preocupado em ver a cena, esqueci do detalhe. E lembrei que na América é melhor você focar no que está a sua frente do que olhar à frente, se é que me entendem. É tudo muito arriscado para fazer diferente. Ah, ninguém vá voar com a meia furada, hein?  Além de ter que tirar os sapatos ainda ter meia furada é humilhação demais para um vôo só.

(O comandante avisa que acabamos de passar por Ship Rock, no Novo México. Uma formação rochosa na paisagem surrealista sobre a qual sobrevoamos, onde as plantações são interrompidas por uma escarpa abruta, uma erosão gigante que faz lembrar que a superfície da terra é uma casquinha nas dimensões avantajadas de nosso planeta.)

Ship Rock, no Novo México

A policial me olha de novo. Será que ela adivinhou que meu sobrenome é sírio-libanês?

Na frente do portão, um buldogue de 1,85m com cara de mau. Aposto que nos finais de semana ele faz barbecue na grelha e toma cerveja dando risadas com os amigos. É só parte do trabalho dele essa cara de mau. Tenho certeza.

(Mais uma chamado do comandante para ver o Glen Canyon – com visibilidade infinita praticamente, o vôo é maravilhoso).

Glen Canyon, variação geológica do Grand Canyon!

Passei, mesmo sem acondicionar meus líquidos (pasta de dente, remédio para nariz) em um saco plástico. Já estava preparado para dizer que fazia muito tempo que eu não viajava para cá, não sabia das novas regras etc.

Agora, Skylink, o trem para o outro terminal. Um lindo dia raia pelas janelas do SkyLink. Nenhuma nuvem no céu. Uma armada de pássaros passa elegante em pequeno plano. Um jumbo pesado rompe o ar, apontando o infinito em segundo plano, sem a menor graça perto do balouçar errático das asas dos pássaros que revezam na liderança da armada.

Starbucks na entrada do vôo. Um cookie para não morrer de fone. Por trás das grades do corredor, brilha o logotipo da American, refletindo o sol nascente. Uma metáfora perfeita para as salas da imigração. O sol da América brilhando tão perto e tão longe do desejo de muitos. A fronteira do México está logo ali.

Em São Francisco, surpresa, a mala não está. Vou esperar no hotel para ver se a recuperam. Duas horas de sono para recuperar da noite na classe econômica antes de reencontrar a cidade, 11 anos depois da última vez que estive aqui.

Outubro 30, 2009

Quem nasceu para Rio de Janeiro pode virar Costa Amalfitana?

Rio de Janeiro algum dia pode virar a Costa Amalfitana?

Quando pisei em Positano, em 2002, foi impossível não lembrar das favelas do Rio de Janeiro. Lembro direitinho de ter brincado com minha esposa dizendo que aquilo ali não era muito diferente do Rio de Janeiro, só mais chic. Casas penduradas em uma encosta à beira mar, uma colada na outra, pequenas ruelas servindo de ruas. É ou não é uma descrição que lembra as favelas do Rio? Com um pouco de boa vontade e um banho de IDH, não poderia o Rio virar um pedaço do mediterrâneo em solos tropicais? No meio desta semana tive a sensação de que essas ideias não eram delírios só meus.

Não, teve alguém que foi mais a fundo nessa ideia maluca. O nome dele é Rolf Glaser, um empresário alemão, que colocou R$ 1,1 milhão de reais na ideia de transformar o Rio em Positano! A matéria que conta a história dele no Estadão fala de sonhos de banho de IDH, mas entregue um belo balde de água fria. Esbarrou na burocracia, na falta de vontade, em obstáculos intransponíveis. A frase dele é melancólica: “Perdi muito dinheiro. A prefeitura fez uma série de exigências e inviabilizou o negócio. Acho que algumas pessoas não gostam da favela, mas também não querem fazer nada para mudar a comunidade”, avaliou Rolf.

O alemão sonhou grande e morreu longe da praia. Foi embora para a Alemanha. Detalhe que está perdida em um canto da matéria: Positano já foi uma região pobre, resgatada com investimentos privados.

Quanto teremos de coragem, audácia e vontade de mudar para fazer o Rio de Janeiro diferente, melhor, até 2016. É um sonho ou um delírio?

Outubro 29, 2009

Ideias que transformam o mundo – agora no Brasil!

Dia memorável hoje. Começou e terminou em torno do tema ideias. Estamos passando por uma revolução silenciosa no país, dessas que veremos os resultados em 20 anos. Como nunca antes, as ideias estão fluindo com liberdade no Brasil. O melhor exemplo disso é o encontro que teremos em São Paulo, em novembro próximo, o TEDxSP.

Trata-se de um evento ‘licenciado’ para o Brasil a partir da incrível comunidade TED, que foi criada em 1984 (nem sabia que era há tanto tempo) para disseminar ideias. Quem não conhece, precisa conhecer.

A versão brasileira terá 32 participantes (alguns nomes já estão no site www.tedxsaopaulo.com.br) e palestras de 5 a 15 minutos. O tema do evento é inspirador: O que o Brasil pode fazer pelo mundo.

Depois do post de ontem (link) e das conversas que tive hoje, tenho a certeza de que estamos nos mobilizando no lado certo. É empolgante participar de coisas relevantes, dessas que a gente sabe que terão um grande impacto positivo.

Fiz minha inscrição algumas semanas atrás e fiquei para lá de feliz quando recebi a boa notícia no e-mail que chegou com o convite.

Fiquei feliz no papo de hoje em conhecer melhor o Dudu Camargo, da Colmeia, e tive o prazer de conhecer o Helder Araújo, da Webcitizen. São dois caras que estão fazendo um trabalho incrível em suas empresas e que junto com outros oito estão viabilizando a versão brasileira do TED. Helder, que já esteve em um dos TEDs, foi muito feliz quando disse que pós-ditadura e com liberdade de expressão, “os brasileiros se lambuzaram no mel do criticismo”. Quis falar sobre aquela onda de críticas que se abate sobre alguém que apresenta um projeto. Crítica é bom, claro, mas é preciso propor algo depois.

A crítica não pode terminar nela, temos que construir algo. Meu lado jornalista não deixa a crítica de lado, mas se tem algo que aprendi no mundo corporativo nos últimos anos foi acolher as ideias e trabalhá-las construtivamente a partir da crítica. Pois o TED é uma saraivada de ideias, algumas mais, outras menos acabadas, mas ideias que encontram espaço livre para decolar.

Aviso de utilidade pública: as inscrições ainda estão abertas. O questionário é um tanto trabalhoso para se preencher, mas pode valer muito a pena. Se não valer, no mínimo, foi uma experiência de autoconhecimento.

Uma dica para começar conhecendo bem o TED é essa incrível palestra da autora do livro Comer, Rezar e Amar, Elizabeth Gilbert (com legendas em português). Vale a pena.

Outubro 28, 2009

Da arte de ver a floresta e não só as árvores

Abaporu, fruto da semana de arte moderna - o Brasil precisa olhar mais para fora

Abaporu, fruto do movimento antropofágico - o Brasil precisa olhar mais para fora

Estive em uma conferência do semanário inglês The Economist na semana passsada. É muito relevante ver a opinião que os gringos têm de fora sobre o Brasil. Havia muita gente de peso. Além dos editores da revista, gente como Jorge Castañeda, César Gaviria, Ricardo Lopes Murphy, Eduardo Giannetti da Fonseca, entre outros.

Os empresários brasileiros estavam todos contentes com o fato de que nosso mercado doméstico é muito forte, amplo, e isso nos ajudou a vencer a ‘marolinha’ da crise. Ficou claro para mim que isso é uma visão de curto prazo. A China e a Índia conseguiram chegar ao estágio atual porque diversificaram seus negócios com outros países. Na visão dos especialistas, os chineses tiveram um grande apoio do governo para expandir os negócios e a Índia contou com o empenho de seus empreendedores. E que faltaria isso no Brasil.

A lógica é a seguinte: se o mercado interno é tão grande e as margens de lucro são ótimas, para que sair do Brasil? Está diagnosticada a falta de internacionalização das empresas brasileiras: falta de vontade. Para dizer que isso é preguiça, falta um passo. Não é o caso de ser tão leviano assim, obviamente, mas é um argumento pertinente.

Outro ponto que deu pano para discussão foi a questão do talento. O Brasil está passando por um momento privilegiado na questão demográfica. Há muita gente na chamada economia ativa. Como em poucas vezes acontece na história. Isso quer dizer que tem muita gente para trabalhar, mas não quer dizer que é gente boa, capacitada para o trabalho. A impressão que se tem no mercado — e muito se ouve falar por aí – é que há dificuldades de contratar pessoas, pois não há gente de qualidade. Um dos presentes se levantou e disse que ele havia implementado muitos projetos no Brasil, China e Índia e que pessoas nunca foram o problema. Nas palavras dele, as barreiras sempre estiverem na tecnologia e infra-estrutura. Problemas de deslocamento, trânsito, conexão com intranet etc. Ou seja, nada de falta de talento, mas sim de planejamento. Isso assusta quando pensamos nas Olimpíadas que vêm por aí.

Outros pontos entraram na discussão, como protecionismo, a necessidade ou  não de o Brasil exercer papel de liderança na América Latina, entre outras. Mas o que mais me chamou a atenção foi aquilo que não foi dito, que deixou de ser assunto. A questão ambiental.

Quem acompanha minimamente essa questão, sabe que a preocupação com o meio ambiente é central no planejamento de 5, 10 anos das empresas. A pressão cada vez maior da sociedade e  de reguladores fará com que, acreditando ou não, as empresas mudem suas posturas em relação ao meio ambiente. Para não ser injusto, somente o Eduardo Giannetti falou algo sobre isso, mas mesmo assim de ‘contrabando’, quando disse que não queria falar da posição de Zelaya, porque não entendia, mas que gostaria de falar de meio ambiente se possível. Mas ninguém mais perguntou nada… Perdeu-se a chance. As empresas ao lado dos governos têm enorme capacidade de provocar a mudança necessária nos padrões de desenvolvimento da sociedade.

E para acabar com algo menos árido do que The Economist, segue um vídeo muito bacana de uma empresa hidrelétrica alemã, chamada RWE, que capturou de maneira onírica o importante papel das empresas nessa transformação do mundo.

Essa capacidade de enxergar a floresta e não somente as árvores é fundamental para as instituições e pessoas enxergarem de forma mais precisa o papel de cada um. Os brasileiros deveriam ouvir mais a opinião de fora, se abrir mais para o mundo. (Isso não é novidade, já está há décadas entre nós! A Semana do modernismo, o movimento antropofágico já apontou o caminho há muito tempo, porque a gente esquece?) e as empresas deveriam todas ter essa percepção que a RWE teve. Divirtam-se com o vídeo e com a capacidade de expressar ideias em imagens.

Outubro 27, 2009

O lado A é melhor que o lado B? — Qual o impacto das redes sociais na produtividade?

Ontem saiu uma pesquisa (repercutida no Financial Times e na Exame) que fala nas perdas de produtividade das redes sociais para as empresas. Seria o "Lado B" das redes sociais. O número é chocante: US$ 2,3 bilhões para as empresas. Em média, as pessoas ficam 40 minutos por semana nessas redes sociais, segundo o estudo. Não vi em profundidade (não achei no site ou no google e procurar mais, aí, sim, seria perda de tempo…), mas imagino que a empresa tenha dividido as receitas totais da empresa, por número de horas/homem e subtraído os 40 minutos semanais apontando, assim, a perda de resultado.

A consultoria, que se chama Morse (uma empresa de tecnologia da informação provavelmente querendo vender firewalls e preocupada com sobrecarga de servidores), provavelmente deixou de lado os ganhos de produtividade que o fato de manter as pessoas conectadas com o mundo traz. Sobre isso, não há estudo, pois é muito mais difícil de se medir. Caímos na questão dos intangíveis (que envolve marca, reputação, engajamento com os públicos, sustentabilidade), itens que não estão nos balanços das empresas e ninguém ainda conseguiu mostrar como trazem bons resultados (objetivamente) às empresas. Mas que trazem, trazem (“No creo em brujas, pero que las hay, las hay”). Retenção de talento, desejo dos clientes de escolherem tal empresa ou serviço, atração de capital etc. Os questionários de prêmios em sustentabilidade, que nos acostumamos a preencher nos últimos anos, estão cheios dessas perguntas. Inclusive no do próprio Financial Times, que repercutiu essa pesquisa.

O caminho de identificar o valor das redes sociais é muito mais difícil do que o de apontar o dedo e encontrar problemas. É claro que há problemas. Mas também há problemas em gestão de pessoas, nas áreas de negócios, em todo o lugar. E o problema da dispersão não vai se resolver cortando acesso a redes sociais. O mundo 2.0 está cada vez mais interconectado. Encontrar jeitos de afastar as pessoas de desconectá-las é o mesmo que se fechar em quatro paredes.

Para não ficar somente na verborragia contra as tentativas de desqualificar as redes sociais como lugares improdutivos, segue um link com um estudo (Deep social media engagement pays dividends) mostrando que as empresas que mais investem em redes sociais aumentaram suas receitas em 18% nos últimos 12 meses. Esse é o "Lado A" das redes sociais

Em resumo, diz que, em média, as empresas que mais investem no engajamento via mídias/redes sociais aumentaram suas receitas em 18% nos últimos 12 meses, enquanto as menos engajadas viram as receitas cairem 6% no mesmo período.

Vai de novo para o pessoal da Morse ler: Em resumo, diz que, em média, as empresas que mais investem no engajamento via mídias/redes sociais aumentaram suas receitas em 18% nos últimos 12 meses, enquanto as menos engajadas viram as receitas cairem 6% no mesmo período.

O estudo considerou empresas do ranking 2008 BusinessWeek/Interbrand Best Global Brands ranking.
Foi analisada a performance de cada uma dessas empresas em mais de 10 canais de redes sociais, entre os mais relevantes (como Facebook, Twitter, Wikis etc).

As marcas mais engajadas e com melhor retorno são:

1. Starbucks (127)
2. Dell (123)
3. eBay (115)
4. Google (105)
5. Microsoft (103)
6. Thomson Reuters (101)
7. Nike (100)
8. Amazon (88)
9. SAP (86)
10. Tie – Yahoo!/Intel (85)

Com base nos dois lados da moeda, fica a pergunta: as redes sociais são boas ou ruins para a produtividade?