Novembro 19, 2009

Quando o líder falha – a briga dos jogadores do Palmeiras

O imponderável é o que há de mais incrível nos esportes, particularmente no futebol. Ontem, no jogo do Grêmio x Palmeiras aconteceu uma cena raríssima, dessas que deixam todos com a boca aberta, tentando entender o que aconteceu.

Aos 46 minutos do primeiro tempo, já nos descontos, o guerreiro argentino Máxi Lopez, livre na área, recebeu, virou e chutou. Marcos defendeu e sobrou para Marques, que empurrou para o gol. Até aí, tudo bem. O incrível veio depois, quando os jogadores do Palmeiras começaram a brigar. O ‘craque’ Obina foi tirar satisfação de Maurício, que deveria ter marcado Lopez. Claro que ele não gostou, mas a reação foi tentar acertar o Obina. Obina se esquivou e encheu a mão na cara do sujeito. Ai, veio a turma do deixa disso. Mas já era tarde demais. O juiz tinha visto e mandou os caras para a rua quando o jogo recomeçou.

O Palmeiras liderou o campeonato brasileiro por 18 rodadas. Aí, não conseguiu segurar o rojão e começou a ceder espaço para outros times. À medida que o time ia perdendo a distância, começaram a jogar mal, cada vez pior. O problema que estava em campo extrapolou para extra-campo.

Em um dos jogos, o juiz anulou um gol legítimo de Obina. O dirigente do Palmeiro, Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos economistas mais respeitados do país perdeu as estribeiras e chegou a dizer que ia dar porrada em Simon.

Pronto.

O Palmeiras se perdeu de vez. O destempero de Belluzzo passou para o campo no jogo seguinte, quando os palmeirenses empataram em casa com o Sport. E destrambelhou de vez com o episódio de ontem, no Olímpico.

É incrível o poder do exemplo, da liderança. Por mais que um líder precise colocar para fora suas emoções, ele nunca pode fazer isso de forma descontrolada — ainda mais via imprensa. Isso reflete claramente na equipe. Os jogadores do Palmeiras passaram a acreditar em conspiração, por meio de seu líder. Isso abala a moral, pois se há conspiração, não adianta você jogar bem, pois sempre darão um jeito de colocar você para baixo.

Dia desses, vi o filme Into the Storm, que mostra os dias em que Churchill jogou xadrez de guerra com Hitler na 2ª guerra mundial. Há vários momentos em que fica evidente o poder das ações e das palavras do líder. Muito simbolismo. Um grande craque com o qual a humanidade foi presenteada para derrubar Hitler (sobre isso há o fantástico filme “Cinco Dias em Londres”, do historiador John Lukácz, veja no Google Books ou na Livraria Cultura.)

O paralelo é abissal, eu sei, mas é de liderança que estamos falando. O Palmeiras perdeu o campeonato graças ao líder que não agiu conforme se esperava dele em um momento crucial.

Juca Kfouri escreveu sobre isso aqui. E o Belluzzo enviou uma resposta muito interessante para ele. Mostrando que voltou à razão, com estilo e verve apurada. Com a tranqüilidade e o distanciamento crítico que o escrever possibilita. Mas foi tarde demais…

(P.s.: Hoje, os jogadores do Palmeiras fizeram as pazes.)

Novembro 17, 2009

Pense bem antes de não deixar alguém entrar em sua rede!

Esse vai rápido para compartilhar uma impressão muito bacana sobre o funcionamento de redes (fonte: professor e filósofo Rogério da Costa, da USP). A teoria das redes, que é estudada desde a década de 80, pelo menos, e serve de base para o funcionamento de coisas como internet e suas ferramentas como Orkut, Facebook, Twitter etc tem o conceito de laços fortes e fracos.

Essa teoria diz que os laços fortes são aquelas pessoas que você conhece muito bem e os laços fracos é aquele colega de trabalho que você encontra de vez em quando em uma reunião ou um ex-colega de escola. Pois bem, as ferramentas sociais de mais sucesso hoje são Facebook, Orkut, MySpace, Twitter, etc porque se apóiam nos laços fracos.

A lógica é a seguinte: os laços fortes pensam exatamente como você, têm os mesmos interesses, portanto, não agregam muito valor sob o ponto de vista do conhecimento. Já os laços fracos, eles têm um incrível potencial de agregar mais conhecimento, assim como o de ampliar a disseminação de qualquer mensagem. A atualização de status nas ferramentas já citadas. Então, pense melhor antes de confirmar aquele cara que quer participar de sua rede, mas você não deixa!

Leia mais sobre o problema de se fechar nas próprias informações no post “Eu Diário – Ou você mesmo edita suas notícias”

Novembro 16, 2009

TEDxSP – Day after #2

Esse é o caminho das ideias

O mundo 2.0 é mesmo incrível. Até então, os eventos que eu tinha participado acabavam ali. No dia em que aconteceram. No máximo, alguém enviava um e-mail dias depois para outro participante pedindo mais informações sobre algo ou então para marcar um benchmark.

Em apenas duas semanas, participei de dois eventos totalmente conectados com o seu próprio tempo, em mode zeitgeist total. O Enterprise 2.0, em San Francisco (leia post aqui) e o TEDxSP. Não só durante o evento, como depois, a discussão continuava solta no Twitter. Muitas ideias sendo trocadas, muitas sacadas interessantes, muito intercâmbio de conhecimento.

Uso a ferramenta TweetDeck, que facilita bastante a gestão das informações, mas é preciso dizer que não é nada fácil dar conta de tudo que é dito e não se sentir tentado em clicar em cada link novo submetido. Andei clicando em alguns (não resisto ao vício) e encontrei um infográfico de uma pessoa que participou no lugar da outra. Esse infográfico deu origem a um MindMap colaborativo, lugar onde um dos participantes (@ilimitat http://bit.ly/1C63W1/) disse que ia compartilhar o que havia aprendido.

Vejam as possibilidade de potencializar esse conhecimento. O mundo 2.0 proporciona que as pessoas permaneçam em contato. Encontrei uma amiga, com quem trabalhei muitos anos. Ela disse que, entre outras coisas, adorava o Facebook pelo fato de que mantinha as pessoas em contato. Ela disse que parecia que não tinha saído daquele lugar de trabalho quando estava em contato com todos via rede social. Pois parece que o TEDxSP não acabou e continuava rolando na coluna de Search do TweetDeck. Incrível!

“Ouvi” alguns comentários no Twitter sobre o possível ufanismo do evento. Eu acho uma grande caretice falar isso. O que senti mesmo foi uma vontade genuína de levar coisas legais adiante – um sentimento bacana que emergiu graças a um monte de gente mobilizada na mesma direção. É claro que surgiram algumas opiniões de que o Brasil é melhor nisso ou naquilo. Mas todo mundo é melhor nisso ou naquilo. O importante é ter consciência disso é aproveitar. Essa é a hora do Brasil, não é nenhum ufanismo acreditar nisso — e trabalhar para fazer virar.

Sou jornalista, filho de jornalista, neto de jornalista – e casado com uma jornalista. Podem imaginar que a criticidade corre nas minhas veias. Mas faz muito tempo que deixei de ser crítico para parecer que tenho opinião. Ou para ir contra a corrente. Prefiro guardar a crítica para a hora certa e fazê-la de modo construtivo. O TEDxSP foi demais.

PS: Pessoal, valeu pelos comentários e frequencia aqui. O post de ontem do TEDxSP foi campeão de audiência nesse blog.

PS2: Qual o próximo passo da comunidade TEDxSP? Algum projeto, algum apoio, algum encontro? Acho que essa energia não pode ficar parada no Teatro Anhembi-Morumbi!

PS3: Em homenagem ao TEDxSP, onde foi mencionada música feita a partir dos pássaros nos fios, segue foto tirada recentemente em San Francisco.

Novembro 16, 2009

O incrível TEDxSP e sua ebulição de ideias

Final de domingo, filhos na cama (ufa!). Fiquei o dia inteiro refletindo sobre o que vi no TEDxSP ontem, o evento mais incrível que participei nos últimos tempos. Talvez o melhor que eu tenha participado até hoje. Não consigo lembrar de outro assim. Desde que acordei estive pensando no que poderia escrever. Então, hoje não vai ter foto, mas vai ter texto. (Muito texto, confiando que vocês vão até o final acreditando na máxima de que não existe texto longo, existe, sim, texto chato!)

Não é fácil cuidar de dois filhos pequenos no final de semana! Só consegui bater o olho nos jornais do dia agora. Nada de interessante. Ia olhar as semanais, mas decidi que não. As revistas semanas são muito factuais. Demais até. Há tempos que não conseguem nos levar para o futuro, levar nossas mentes adiante. Vou investir meu tempo no futuro, escrevendo minhas impressões sobre o TEDxSP (ao longo do texto, coloquei em itálico alguns dos tweets que enviei durante o evento, assim como coloco também os endereços no Twitter dos palestrantes – @nomedo palestrante).

Imagem do TEDxSP

O evento me fez pensar, repensar, reler e me entusiasmou com as possibilidades do Brasil. Muita coisa interessante, muito combustível para a mente. Pessoas das quais eu nunca tinha ouvido falar, fazendo coisas incríveis! Teve o publicitário Danilo Mendes, que apresentou a máquina que tira água do ar e teve a química Milena Boniolo (@milena_anelim), que mostrou como a casca da banana pode tirar metais pesados da água. Valério Dornelles mostrou o case da Tecnologys, inovador em construção civil, com tijolos inspirados no Lego e Anysio Campos mostrou o incrível Obvio, carro movido a eletricidade (brasileiro!)

A designer Fernanda Viegas (@viegasf) mostrou o site Many Eyes, que ela co-desenvolveu com a IBM e que ajuda a visualizar dados, a filtrar a quantidade absurda de informação que a gente recebe. Sem dúvidas, vamos precisar de algo assim, até para enxergar as coisas de um jeito novo, que vai fazer muita diferença no mundo que teremos pela frente, com temas novos em pauta, coisas que ainda precisaremos conhecer melhor.

Como a bioinformática, por exemplo. Sandro Souza falou sobre isso, sobre o avanço nos estudos do Genoma. Ele é um dos pesquisadores brasileiros mais reconhecidos no meio e trouxe questões intrigantes sobre o futuro.

**Sandro Souza no #tedxsp. Genoma e Bioinformática vão mudar vidas nos próximos anos. Desde 1995 já deciframos genomas de espécies.

**Em 2001, custava US$ 3 bilhões p/ sequenciar um genoma. Em 2009, chegou a 50 mil. E deve chegar a 3 mil p/ vc sequenciar o seu. S. Souza #tedxsp

**Logo, logo, você vai chegar no médico c/ pendrive c/ genoma e ele vai dar remédio. Não há proteção legal para info genética. S. Souza #tedxsp

Além de criatividade por todo o lado, alguns temas chamaram a atenção pela onipresença: educação, redes sociais e bicicleta (!).

Vou começar pelo último, que é mais fácil de analisar.

Bicicleta (!)

Além da palestra do designer Flavio Deslandes, que criou uma bicicleta com quadro de bambu, que de tão resistente chegou a quebrar a máquina de testes, o médico Paulo Saldiva recebeu destaque por ser um ciclista desde os tempos de faculdade, quando ia para a USP, pedalando. Saldiva fez um paralelo interessante entre a doença do planeta e doenças humanas.

A lógica dele foi a seguinte: pensemos que cada país é um órgão e que as pessoas são as células do planeta. Estamos com febre (aquecimento global), viciados em uma droga (petróleo), com obstrução das vias áereas (trânsito caótico), com infecção renal (acúmulo de lixo, pois não conseguimos eliminar os dejetos), com alguma flatulência (tornados que estão cada vez mais freqüentes) e com disfunção cognitiva (alguns neurônios – cientistas – dizem que o planeta vai esquentar graças ao homem, outros dizem que é algo normal). Fora essa brincadeira genial, Saldiva contribui com a precisa afirmação de que a poluição deveria ser considerada problema de saúde pública.

Cerca de 4 mil pessoas morrem por ano em São Paulo em função da poluição, ao passo que menos de mil pessoas morrem em função de AIDS e cerca de 500 por tuberculose. Tem ou não tem razão?

Osvaldo Stella, doutor em ecologia, também pedalou. Abandonou um curso de engenharia para cruzar de bicicleta a Transamazônica com dois sujeitos que não conhecia.

Stella foi responsável por um dos momentos mais engraçados do dia. Ele deve ter sido o décimo palestrante. Entrou ‘perdido’ no site, dizendo que não sabia mais o que ia falar e pedindo desculpas para quem tinha feito o power point, que ele não ia mais usar.

E se pôs a falar de sua vida, rodando como se fosse um peão, atordoado com tudo que tinha ouvida até então, nas suas palavras. Acabou falando da Iniciativa Verde, a primeira ONG de compensação ambiental do Brasil. Neutralizar os efeitos do padrão de vida é importante, mas não é suficiente, vale lembrar. Melhor é diminuir a chamada ‘pegada ecológica’.

**Osvaldo Stella é a surpresa engraçada do dia. Largou engenharia e se transformou pedalando na transamazônica. #tedxsp

**Impacto da crise financeira diminuiu mais a emissão de gases de efeito estufa do que o Protocolo de Quito. Osvaldo Stella #tedxsp

Redes Sociais

O outro assunto que rendeu pano para manga foi redes sociais. Augusto de Franco (@augustodefranco) foi o grande palestrante sobre o tema. Apresentou conceitos técnicos, a origem do relacionamento em rede e mostrou como se faz.

**Augusto de Franco sobre redes sociais. #tedxsp Diz que a Matrix existe!, interligando todos nós agora. Social é o q está entre as pessoas.

**Paul Baran, da RAND. 3 organizações d redes: centralizada, descentralizada e distribuída. Boa fonte p/ redes. #tedxsp (via @augustodefranco)

Luiz Algarra, (@lalgarra) designer de redes sociais, da Papagallis, entre outras, também falou sobre redes sociais. Achei a palestra dele viajante pacas. Tinha o nome de Solilóquio Reflexivo. Falou de redes sociais, de amor, física quântica, misturou tudo. Disse até que o amor era empírico metafísico.  Valeu para conhecer mais um doidão no mundo. Algarra fez uma pergunta interessante: “Eu quero querer o que quero?”

**”Somos humanos porque percemos nossa humanidade, com base no cuidar, no fluir da emoção.” Papo bicho-grilo total. Tá legal. @lalgarra #tedxsp

O outro que falou sobre redes sociais foi o Silvio Meira (@srlm), grande cara. Silvio tem domínio do palco e sempre rabisca os pensamentos no laptop tablet (lembra dele?) causando um efeito interessante. A melhor sacada de Silvio foi dizer que educação deve ir de ‘just in case’ para ‘just in time’. Ou seja, aprender o que se usa. Ou faz algum sentido aprender números imaginários para quem, como eu, é um jornalista?

**Mamíferos vivem em média 2milhões de anos como espécie. Seres humanos já vivem há 200mil anos e tentando se matar logo! @slrm #tedxsp|

**Quem acha que já viu tudo em possibilidades de computação, ainda não viu nada. Próximos 25 anos vao criar oportunidades de cooperação e educação.

**@slrm diz que dormiu em 75% das aulas de graduação, passou e ganhou duas hérnias de disco. +1 crítica p/ educação. #tedxsp

**Humanos, gregários, coletivos e conectados viverão na rede para sempre, pois é onde sempre estiveram. Redes sociais forever. @srlm #tedxsp

Educação

A revista Economist publicou uma matéria há algum tempo falando que o grande fator responsável por mudar o padrão de desenvolvimento de uma nação é a educação, seguida pelo crédito. Os psicologistas costumam dizer que o primeiro passo para resolver um problema é reconhecê-lo. Pois bem, juntando Economist, psicologia e TEDxSP, chego à conclusão que podemos ter esperança. Praticamente todo palestrante falou sobre educação em algum momento de sua palestra, quando não era o tema principal.

Dona Adozinda Kuhlman, educadora, 92 anos, (escolhida via twitter a palestrante mais fofa do evento) mostrou uma mente para lá de afiada. Ficou a certeza de que uma mente ativa ajuda a saúde física. Ela ficou lá até às 22h e a palestra dela foi de uma lucidez impressionante para quem tem 92 anos. O conhecimento é a pílula da juventude!

**Dona Adozinda, educadora de 92 anos, diz q BR é terra jovem, c/ mto a oferecer ao mundo. Matèria-prima somos todos nós e as ideias #tedxsp

**Dona Adozinda: “Minha profissão tem a função de alicerçar as outras profissões”. #tedxsp

**Consciência s/ seu papel é fundamental para satisfação no trabalho. Dona Adozinda dá show de lucidez aos 92 anos. #Tedxsp

Guti Fraga, do Nós do Morro, também foi pela linha de educação. Fraga foi o responsável pela apresentação mais vibrante, emocionante do dia. O cara transpirava emoção em cada palavra e mostrou como o teatro ajuda na inserção social de pessoas que vivem na favela.

**”Malandragem é universal”, caiu a ficha de Guti Fraga no #tedxsp.

**Guti Fraga: “ninguém tem amor maior que esse: dar a sua vida para os outros”. #tedxsp via @mbtorres

Eduardo Moreira também falou sobre teatro e inserção social, ou educação via arte.

**Artigo de 1a necessidade para as pessoas é exercer ludicamente a vida delas. #tedxsp Eduardo Moreira

**Uso dos espaços públicos por viciados em crack é perigoso para a democracia pq vira lugar de ninguém. #tedxsp Eduardo Moreira

Samara Werner (@samarasa) do Instituto Oi Futuro, bateu na mesma tecla, de que precisamos investir em educação. Uma frase boa dela foi:

**Samara Werner cita Antonio Carlos Gomes da Costa:  Se cuidassémos da educação como da escalação brasileira, BR teria mto + a oferecer. #tedxsp

Ela também citou Einstein:

**A mente que se abre a uma nova ideia nunca volta ao seu tamanho original. Einstein via Samara Crespo #tedxsp

Ao final da palestra dela, fiquei com uma dúvida atroz:

**Pq todo mundo reclama da escola e como ensinamos, mas não conseguimos valorizar  iniciativas diferentes de educação? #tedxsp

A próxima a falar sobre educação foi Maria Alice Setubal, que mostrou projetos bacanas do CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária).  Projetos muito importantes para um país repleto de carências, como o Brasil, mas ainda na milenar batida de dar o peixe e não de ensinar a pescar.

Criatividade

E aqui chegamos num outro bloco que vou chamar de criatividade, embora em quase todas as palestras essa questão tenha estado presente. Meu amigo e jornalista Dênis Burgierman abriu o dia falando do imenso potencial criativo do Brasil, pois estamos cheios de problemas para resolver. Muita gente criativa + um monte de problemas = oportunidades de sobra!

Regina Casé (@reginacase) foi a certeza disso mostrando o seu incrível trabalho antropológica perseguindo a manifestação cultural da periferia. A partir do que descobriu no funk no Rio de Janeira, ela mergulhou em outras regiões suburbanas do mundo e descobriu que na Cidade do México, em Paris, e em Luanda (Angola), existem culturas tão forte quanto o funk, mas relegadas a segundo plano pela mídia.

Ronaldo Lemos, fundador do Overmundo e diretor da Creative Commons no Brasil, ainda que eu não tenha conseguido ver toda a palestra, também foi por essa linha, mostrando o impacto que o mundo underground tem nas redes sociais. Principalmente o que as Lan House fazem pela inclusão digital e como o tecnobrega ganhou o mundo digital.

O mundo 2.0 traz uma incógnita em relação à propriedade intelectual e pirataria. Regina Casé mostrou uma banda de Kuduristas (de Kuduro, um ritmo angolano que quer dizer “bunda dura”), que vendeu 15 000 CDs em 3 horas. E os impostos? Não se falou nada…

**Hermano Viana pelo funk foi chamado com DJMarlboro diversas vezes no departamento de polícia do RJ, mas nunca no de Cultura! Regina Casé no #tedxsp

**Regina Casé no #tedxsp mostrando variações do funk pelo mundo. Incrível! Trabalho antropológico de primeira. Já tem documentário?

**Expressão da periferia é estigmatizada, negligenciada pelo que é cultura, pelo que é popular. Periferia do mundo está à margem. No news. #tedxsp

**Brasil – vamos aproveitar o q já existe, não precisa inventar muito. BR pode ser vanguarda anti-gueto do mundo. #tedxsp Regina Casé

Fabio Barbosa foi incisivo. Lembrou que o Brasil precisa mesmo é fazer uma reforma de valores, que inclui, entre outras coisas, falar “ilegalidade” e não “informalidade” como costumamos dizer. A mensagem foi a mesma e consistente de sempre:  conjugar negócios e ética. No folder do evento, dizia que Fabio valoriza a pontualidade. Foi um dos somente quatro que cumpriu o tempo dado (15 ou 5 minutos, dependendo do palestrante) à risca.

(Achei interessante a visão de Tiago Dória sobre a palestra do Fabio Barbosa: “Gostei também da apresentação do Fabio Barbosa, presidente do Banco Santander. Ele não usou esse termo, mas falou sobre algo que acho bem importante na administração, que é a “teoria da janela quebrada“. É preciso resolver os problemas enquanto ainda são pequenos. Acredito que seja um conceito que se aplica muito bem não somente na administração pública, mas também na privada (gestão de plataformas de redes sociais, por exemplo). Bug em um sistema? Conserte o mais rápido possível.”)

O único estrangeiro do evento foi Casey Caplowe (@caseycaplowe), da revista Good, que debate formas interessantes de fazer o bem e transformar o mundo. Um dos slogans da revista é “América: deixe-a ou conserte-a.” Outro é para “people who give a damn”

**Casey Caplowe mostra gráficos interessantes q a www.good.is usa. Informação visual facilita mto p/ entender a dimensão dos problemas. #tedxsp

**You never change things by fighting the existing reality. To change something, build a new model that makes the new model obsolete. Casey Caplowe

**Brasil pode sair de exportar coisas para exportar solucões como o sistema de ônibus de Curitiba. C Caplowe #tedxsp

**Street art do Brasil é muito valorizada nos EUA. Pq não é aqui? #tedxsp

**Muito pensamento legal, de gente bacana no #tedxsp. Pq a diversão e a arte ficam em 2o plano no mundo ’sério’ político-empresarial? Perda de tempo?

Sobre revista, Roberta Faria apresentou o modelo da Sorria, que conseguiu mais de 200 000 exemplares por edição com um modelo de negócios inovador, via doação social.

João Paulo Cavalcanti, da Box 1834, propôs que o Brasil deveria ter um sonho como nação. Falou do Poder do Mito, de Joseph Campbell (para quem não sabe, a base que George Lucas usou para construir a história de Guerra nas Estrelas. Cavalcanti lembrou que:

**Há 1 certo momento na trajetória de qquer nação q ela se sente escolhida. Nesse momento, ela dá o melhor e o pior de si. EMCioran #tedxsp

**Poder do mito de Joseph Campbell. O escolhido precisa estar preparado para entregar o que dele se espera. BR pode! JP Cavalcanti #tedxsp

**A nação que não possui um sonho não é uma nação. Dostoievski, 1871. Via JP Cavalcanti #tedxsp. Qual é o sonho brasileiro?

**Criatividade nasce da diversidade. Não ter raízes é a riqueza da nossa pobreza sob o ponto de vista de inovação. #tedxsp JP Cavalcanti

Realmente não sei se precisamos de um sonho ou de um projeto de país, mas que precisamos ter um norte, ah isso precisamos. Cavalcanti chegou a dizer que nosso sonho pode estar na festa, que pode ser nossa grande contribuição ao mundo, essa alegria de viver. Citou Regina Casé, que focou sua palestra no funk. Eu prefiro ficar fora dessa de festa, sob o risco de virar um grande Carnaval. Temos que ter alegria, mas não acho que festa deve ser central.

E acabamos o evento com um babalorixá, Carlos Buby, que falou na Filosofia Guaraciana, do índio caboclo Guaraci. Esse índio ajudou Buby a se encontrar na vida quando tinha 18 anos e essa experiência gerou essa filosofia.

**Carlos Buby: O homem jamais será reconhecido enquanto ele viver à sombra da luz de seu mestre. Ele precisa ser o seu próprio mestre. #tedxsp

**Carlos Buby: Veracidade da história não está diretamente ligada ao fato em si, mas a credibilidade de quem conta a história. #tedxsp

**Carlos Buby: É muito fácil saber o que desejamos, mas não o que necessitamos. #tedxsp

**Carlos Buby: Um país sem raízes é como árvore sem raízes: é só enfeite. #tedxsp

**Carlos Buby. Posso ñ acreditar em 1 só palavra do q vc diz, mas vou lutar com todas as forças para vc ter a liberdade de dizer o q diz. #tedxsp

A palestra de Buby foi carregada de auto-ajuda, mas seu simbolismo é muito maior. Representa o grande ecletismo que foi a seleção de palestrantes do primeiro evento TED independente realizado no Brasil.

Magistralmente realizado, diga-se de passagem. O formato é muito vencedor. Palestras de cinco e quinze minutos são infalíveis. A mensagem central de qualquer pessoa está nesse intervalo de tempo. Mais do que isso é variação sobre o mesmo tema. É claro que é importante falar mais sobre determinados assuntos. Mas em um evento, vale a máxima de que “menos é mais”. Resultado: 30 pessoas fizeram palestras incríveis.

Conversando com outros participantes, disse que não me senti surpreendido pelo que vi nos palestrantes. Estava esperando altos e baixos, como em qualquer evento. E isso aconteceu. Agora, me surpreendi, sim, com a realização.

Helder Araújo (@haraujo) e equipe fizeram um trabalho nota 10! Os mínimos detalhes foram perfeitos, o pré, o durante e o pós-evento, com um brinde para comemorar, foram de tirar o chapéu, como fez Silvio Meira no palco. Muitos elogiaram a surpreendente equação juventude + rigor na organização.

Helder não só conseguiu atrair grandes palestrantes, como ainda apresentou, com ajuda de outros Tedsters, como o impagável Bruno (@oestagiario), a vibração do TED original, da Califórnia. Todos que participaram entenderam melhor o que é e como participar.

Responde à pergunta do TED sobre o que o Brasil tem a oferecer ao mundo, fiquei com a certeza de que a efervescência criativa, baseada em nossa grande diversidade cultural é o nosso princiapl ativo. Senti um verdadeiro orgulho, uma brasilidade, muito presente no TEDxSP. A sensação de que o país tem um enorme potencial e que tem muita gente a fim de fazê-lo acontecer.

Fiel ao lema de compartilhar ideias, agora, teremos as 30 palestras disponibilizadas na íntegra, uma por semana: WWW.tedxsaopaulo.com.br.

Minha gratidão ao Helder Araújo, ao Dudu Camargo (@dudex) e a todos os demais envolvidos na organização do TEDxSP. Foi um grande presente de Natal antecipado. Uma ebulição de ideias, uma semente para formar uma comunidade com grande potencial. Que venha o próximo e um brinde ao conhecimento!

Novembro 12, 2009

É nóis na Economist!

Há três semanas, estive no Economist Summit (veja post “Da Arte de ver a floresta e não só as árvores”), um seminário do semanário inglês cujo tema foi o Brasil. Havia muitos especialistas, empresários, acadêmicos. Todos discutindo os rumos do Brasil. As conversas foram muito boas. Conseguiram captar a essência do ambiente empresarial brasileiro, com toda sua vontade, dinamismo, defeitos e incongruências, mas que inegavelmente está em momento de decolada.

Não tenho dúvidas de que esse espírito que ficou evidente nas discussões foi o principal motivador da publicação dessa matéria de capa da Economist que foi lançada hoje (de tão tosca, chega a ser boa, diga-se de passagem).

7143372.us_bbc_mundo_400_339

O editorial da revista é muito abonador para o Brasil. Um colega meu jornalista que morou em Londres por muito tempo e é fã da revista não se conteve é mandou o e-mail com o título: “É nóis na Economist”!

É nóis mesmo! A publicação começa dizendo que havia muito ceticismo quando o acrônimo BRIC foi criado, que o Brasil não caberia nesse B. Pois bem, no parágrafo seguinte, começa a enumerar os benefícios do Brasil.

Segundo os jornalistas, o ceticismo foi para o espaço. Diz que o país não evitou a crise, mas foi um dos últimos a entrar e um dos primeiros a sair. A economia está crescendo 5% em taxa anualizada e deve crescer mais com os campos de petróleo descobertos, enquanto a Ásia está ávida pela comida e minerais produzidos no Brasil. E todos sabem que asiáticos são mercadoria em abundância no planeta! E as  previsões indicam que em 2014 o Brasil deve ser a 5a maior economia, superando Grã-Bretanha e França. Motivo de orgulho brazuca! Para a revista, mais motivo de orgulho, o Brasil debutou no primeiro mundo com as Olimpíadas e com a Copa do Mundo.

Muito bem, isso é o que temos hoje, e que não foi conquistado do dia para a noite. Economist aponta o trabalho, a lição de casa, feita pelo país para ‘chegar lá’. Fala do controle da inflação, autonomia do Banco Central, lei de responsabilidade fiscal e privatização. Uma receita eficiente. Grandes empresas como Vale, Petrobras, Embraer, Gerdau e JBS são citadas como companhias de atuação mundial. E cita a imprensa forte e vigorosa (dessa parte eu me orgulho muito!).

Mas….

Mas – sempre tem o mas e isso é muio bom – tem o lado negativo também. Aumento dos gastos do governo, poucos avanços em educação e infraestrutura perto do que precisa e violência em algumas partes do país. E a revista lembra que o governo e a sucessora candidata Dilma pouco caso estão dando para a reforma trabalhista (ponto que emergiu com destaque no seminário em São Paulo).

E a parte que o presidente Lula não deve nada nada ter gostado de ouvir foi a de que é um presidente de sorte e que o crescimento do país nesses anos se deu na esteira das reformas promovidas pelo seu antecessor FHC. E que para manter o desempenho o próximo presidente terá de tratar de alguns problemas que foram deixados de lado. “O resultado da eleição pode determinar a velocidade com a qual o Brasil avançará na era pós-Lula.”

O melhor da matéria está reservado para o final, quando a revista diz que tudo isso foi conseguido em um ambiente livre e democrático, que o presidente Lula, apesar dos arroubos totalitários que de vez em quando lhe arrebatam (essas são palavras minhas), faz questão de manter e reforçar.

Certa vez estive em um almoço com FHC (sorte a minha) e não resisti a fazer a pergunta sobre qual tinha sido o maior legado dele para o país. Ele não pestanejou em falar que foi o de lutar para manter o ambiente democrático, conquistado a muitas penas. Mais estadista impossível. Senti o mesmo orgulho que ao ver essa matéria na Economist.

Mas — e aqui tem outro ‘mas’ — é bom que essa capa não seja pretexto para dizer que tá tudo bem, porque não tá. Provavelmente enquanto estava sendo impressa a revista, aconteceu o apagão (e sobre isso não há uma linha). Temos ainda tiro ao helicóptero e agora perseguição social, como na menina da Uniban.

Ou seja, é para ter orgulho, sim, mas não para esquecer que somos ainda uma sociedade em amadurecimento. Melhor lembrar disso pelos próximos sete anos para a maré boa não passar no pós Olimpíadas.

Novembro 11, 2009

O Twitter e o apagão em São Paulo

Incrível o apagão de ontem à noite. Pena que não tive a ideia de sair com a máquina por aí. Na verdade, acho que foi uma boa, pois as notícias de assalto, gente dormindo na rua, caos no trânsito, me fizeram lembrar de Ensaio sobre a Cegueira.

Exageros à parte, foi legal a reação das pessoas e como o Twitter ajudou na disseminação das mensagens. Enquanto meu irmão pegava o rádio, eu fui direto para o Twitter. De cara deu para perceber que o problema era generalizado, em várias cidades, todo mundo em São Paulo enviando tweets contando de como estava em cada lugar. (Soube mais tarde que a própria Itaipu criou conta no twitter @usina_itaipu.)

Infelizmente, a conexão do meu celular estava muito instável em função do apagão, e não pude acompanhar muito. Por outro lado, foi bom para refletir um pouco sobre como seria a vida sem luz. Obviamente, é algo que não combina mais com a nossa sociedade, ainda que existam alguns pontos no Brasil que ainda não têm luz, acredita? (Tem um cara muito competente, um empreendedor social chamado Fabio Rosa, que faz um trabalho incrível em relação a isso. Ele leva luz via painéis solares para lugares onde as pessoas sobrevivem de lampião e vela, em pleno século 21. Ê, Brasil…)

Houve um momento em que estávamos eu, minha esposa e meu irmão ao lado do radinho, ouvindo os ‘acontecimentos’. Me senti no início do século, sem luz à noite, principalmente quando meu irmão passou por uma estação em que era transmitida uma radionovela. Incrível, nem sabia que existia. (Fiquei tão analógico que até esqueci de tirar fotos pela janela com uma imensa vista de São Paulo.)

No lugar de radionovela, o que temos hoje, é outra coisa, uma espécie de Twitternovela. E tomo aqui a liberdade de registrar a sequência de tweets publicadas no post do blog NãoZero (muito bom, por sinal, do @jasper)

Não precisa ver todas (estão em ordem da mais recente para a mais antiga), mas é legal de perceber como a ferramenta foi usada de maneira rápida e eficiente para informação. É a isso que me refiro quando falo em Mundo 2.0. Não precisa mais das fontes tradicionais para se manter informada. A rede de cada um pode fazer isso em tempo real e com base na credibilidade das pessoas em que você conhece – e confia.

 

Veja mensagens:

. A proposito, bateria do N97 guentou 2h de acesso continuo à internet. Mto bom

. Gente, ta voltando, acho q vai ficar tudo bem. Foi bacana ter tido a companhia de @todos. Agora, cama e salvar 1 pouco da bateria

. Aqui tbem RT @MissMoura: Pronto! Bateria só com um pontinho. E agora? #comofaz? :(

. RT @Neto: O Ministro Edson Lobão informou que o abastecimento deve ser normalizado ainda esta noite. (via Folha Online e Agência Estado)

. RT @jeffpaiva: Galere, cuidado ao voltar a luz. Desliguem aparelhos da tomada pra corrente que chega desequilibrada não queimar nada.

. Rá RT @s1mone: Aqui também! RT @lelira: Pronto, começou a orgia no vizinho. #inveja

. RT @menta90: @jasper Aqui na consolação estamos com luz

. RT @Isabelladallas: acessor da itaipu disse que não tem como prever qto demora, mas q termoeletricas podem fornecer a energia por enquanto

. RT @MissMoura: Enquanto vc, publicitário, estará de folga sem luz, os jornalistas vão ter que se virar… Fiz a escolha certa!

. Rá RT @jampa: Não estamos num apagão. Estamos no cérebro do Gilberto Gil durante uma entrevista. (via @leandro_batata)

. I was thinking about that RT @alexdc: @jasper interesting that Brazilians aren’t using hashtags to group these tweets #blackout

. RT @Mobilon: @jasper O presidente d Itaipu acabou d anunciar no Globo News. Em até 30 minutos será possível retomar o abastecimento. #apagao

. RT @andreablois: @jasper tudo apagadono rio ainda.

. RT @ahaportugal: aqui no morumbi tbem no escuro. RT @jasper: Aqui em Pinheiros/Pompeia, ainda no escuro #apagao (Gravity) (a min ago)

. RT @ClaudiaCManso: @jasper Zona Norte Sampa continua sem luz tb.

. RT @psouva: @jasper Em são josé dos campos, sp, voltou.

. Aqui em Pinheiros/Pompeia, ainda no escuro #apagao

. T @Helton: E a luz voltoooou galeraaaa #SP

. RT @fugita: RT @advogadaonline: Itaipu nos trending topics. risos. #apagao

. Noticias contraditorias: uns falam q vai durar dias, outros q tá pra voltar. E ficamos na mesma

. RT @Knuttz: Presidente de Itaiú: 2 trechos de uma das linhas já foram reparados, um terceiro (e o último), será reparado em 30 min.

. Lembranças de 11 de setembro. #euestavala

. RT @alexdc: AP mentions possibility of hackers having caused Brazil’s blackout tonight. The Associated Press: Brazil’s 2 largest cities hit by blackouts

. Hurray! RT @interney: Minha esposa finalmente achou o twitter útil #blackoutfacts :)

. Xi RT @mlemos: aparentemente a Internet começa a capotar por aqui. PING degrading para vários lugares #apagao como tá a coisa ai com vocês?

. RT @Cabianca: Catso: se foi queda na linha de transmissão por conta de ventania, pode demorar 1 a 2 dias #medo #apagao #2012

. OPA! RT @baunilha: voltou a luz aqui no centro de sp

. RT @gabidias: Lembrancas de qdo a vida era mais simples… #apagao

. RT @emiliomoreno: RT @fimdejogo: reporter da cbn diz q está seguindo as informações pelo twitter. Ligação da entrevista caiu

. Eita! RT @adrianosbr: No Jornal da Globo: se for problema nas linhas de transmissão de Furnas, o #apagao pode demorar dias…!

. RT @jlgoldfarb: RT @lilian_ferreira: Três ouvintes da Bandnews dizem ter voltado a luz em Campinas.- como está no rio?

. I guess its because the energy is out ;-) RT @alexdc: @jasper I’m surprised Itaipu’s Wikipedia page hasn’t been updated yet

. RT @Cabianca: 800 cidades no Brasil sem energia. #apagão

. Hopefully @shirky will write a post on this ;-) RT @alexdc: @jasper This is Brazil’s first big Twitter moment ;)

. @alexdc 10M? Sao Paulo city alone has 20M…

. Será que os tecnicos de Itaipú estão trabalhando no escuro?

. @alexdc A lot of us using Twitter to share news and to keep the sense of humor up #thankstwitter #blackout #brazil

. Serio RT @gilgiardelli: #apagão preso em Cumbica! Nunca na história deste pais o aeroporto ficou sem luz!

. RT @Knuttz: Causa do Black Out: Itaipú está *completamente* paralisada, técnicos ainda não sabem o que aconteceu.

. RT @Cabianca: Vixe, #Paraguai sem luz. Pane em Itaipu e o problema é considerado sério, sem previsão de solução. #JornaldaGlobo #apagão

. RT @bilaamorim: Ja voltou em Recife… RT @andrelmaraujo: @bilaamorim já voltou aqui.

. RT @jampa: #ficadica desligue a chave geral da sua casa, porque quando a energia voltar… Aiai (via @trentas) já fiz. Conselho nerd!

. RT @jampa: RT @eduardonasi: manchete da zero hora amanhã: inabalavel, rs resiste a apagão histórico. (via @accsalgueiro)

. RT @ianblack: RT @gusfune: Parece que a luz vai voltar aos poucos pra quem for convidado. Tenho 10 convites! #blackout

. Tipo quem? RT @vanessaruiz: Pessoal, estamos apurando: outros países podem estar sem energia também. Mas muita calma nesta hora. #apagaoabout 10 hours ago from Gravity

. RT @pedrodoria: RT @rmesquita: RT @robertoharaujo: Furnas terminou a migração para o windows 7 :)

. Quanto tempo vai durar o apagao? Façam suas apostas #bolaodoapagao

. RT @Neto: Tem um cara tocando flauta doce aqui perto. Vamos combinar? Ou falta luz, ou o cara toca flauta né gente?

. RT @crisdias: RT @peruka: Meu nome é John Connor e se você está lendo isso, você é a resistência. #terminator

. RT @jampa: Bebendo como se não houvesse amanha

. Atravessando a Rebouças pela Brasil #oquevoceestavafazendoquandoasluzesapagaram

. RT @mariacarol: Alias para quem está feliz por ter internet 3g neste momento: a autonomia das torres não passa muito de duas horas!

. #arrastoes por #sp e #rio. #blackout #cuidado

. RT @vanessaruiz: Arrastão na região do Vale do Anhangabau. Pessoas saindo do terminal Bandeira e indo p o metrô sendo assaltadas.

. Xiiii RT @MissMoura: Arrastão no tunel velho em Botafogo #RJ. Afirma radio taxi

. Esse #apagao tem q render coletaneas de frases. RT @cavallini: Quando acaba a luz, namorado vai transar e casado twittar.

. RT @belcolucci: paraguai também tá sem luz. Deve ter sido itaipu

. RT @vanessaruiz: Apuramos aqui na CBN, c o Ministério de Minas e Energia, q o problema é em RJ e SP. ES acaba de reportar problemas. #apagao

. Rá! RT @jampa: Onde estão as mulheres quando a gente precisa delas?about 11 hours ago from Gravity

. Aqui, só celular RT @miltonjung: Rádio a pilha e internet por celular nos mantém conectados

. Se vc quiser MESMO brincar com essa situação, tenha o cuidado de sinalizar #piada pra ñ confundir e gerar boatoabout 11 hours ago from Gravity

. Pô, e ninguem sabe ainda o que tá acontecendo? #blackout #brazil

. Putz, nao duvido RT @cavallini: Não é blackout, é uma ação de guerrilha da telefonica

. Total, tava pensando nisso RT @fugita: Esse é daquels momentos que o tuíter é extremamente útil. #apagao

. Atençao, perigo. Caiu a luz geral. Eu vi acontecer. Acabo de cruzar Pinheiros e Perdizes. tudo apagado #apagaosp

Novembro 9, 2009

Facebook na vida real

Já existem alguns livros para falar do segredo do sucesso do Facebook, tentando desvendar as fórmulas mágicas (veja post antigo mais abaixo) para fazer o negócio ser o sucesso que é. As redes sociais (Orkut, Twitter, MySpace, Plaxo, LinkedIn) tiveram o mérito de encontrar maneiras de as pessoas conversarem entre si com frequencia, apesar da distância e do dia-a-dia atribulado da vida moderna.

Na Enterprise 2.0 Conference, em São Francisco, ouvi muita coisa diferente e relevante sobre como esse novo mundo está se apresentando para as empresas. Em uma das sessões, o palestrante (Gentry Underwood, da IDEO – @gentry) me chamou bastante a atenção quando disse que o ponto da colaboração não é o de ensinar as pessoas a usar o computador, mas facilitar a interação de pessoa para pessoa usando o computador.

Na mesma palestra, ele mostrou o vídeo abaixo, genial. É uma simulação de Facebook na vida real. O sujeito chega, bate na sua porta, diz que te conhece do colégio há trocentos anos e pergunta se pode ou não ser seu amigo. Em seguida, pede a confirmação: “confirma ou ignora”! E assim por diante. É hilário. Coloco aqui para mostrar que o Facebook conseguiu trazer sentido para o ambiente, facilitando a interação de pessoa para pessoa, usando o computador. Fora desse ambiente, seria ridículo. Assim como é ridículo, como em qualquer situação da vida, usar a ferramenta de modo errado. Mancada é mancada em qualquer lugar.Assim, é bom sempre lembrar que gafe não pergunta se é online ou offline.

Veja o vídeo de uns caras chamados Idiots of Ants e depois clique no link abaixo para ver incríveis gafes no Facebook (em inglês).

Veja aqui as gafes no Facebook

Posts relacionados:

A história oculta do Facebook?

Revolução adiada? Geração Y ainda precisa conquistar espaço para revolucionar  empresas

O lado A é melhor que o lado B? — Qual o impacto das redes sociais na produtividade?

Novembro 8, 2009

Paredes e vitrines de San Francisco

São Francisco

Com câmera nova na mão, fiz algo que gosto muito, mas que raramente acho tempo para fazer: tirar fotos erraticamente por cidades.

Em São Francisco, consegui explorar dois bairros dessa maneira, Mission, comunidade de latinos (preciso confessar que me senti em casa com a bagunça e com as pessoas cruzando olhares!) e Nob Hill, bairro que começou a receber os ricos da cidade depois que o bondinho (cable car) ficou pronto.

As máscaras de bruxas estavam em toda a parte, assim como as pinturas na parede. No bairro Mission, principalmente. Muitas mensagens de sustentabilidade, ecologia e consumo local, reforçando a fama progressista da cidade. E até pinturas no chão, retratando o cosmopolitanismo de uma cidade nem tão grande assim, cerca de 800 000 habitantes, sem contar as cidades satélites.

São Francisco recebe de braços abertos.

Novembro 6, 2009

São Francisco, bege e outras

Tirava a foto e algo estava estranho. Os tons eram sempre de bege. Mexi na luz, mexi na lente e mexi na câmera. Continuou estranho. E não poderia ser diferente. Vista de Mission Dolores Park, San Francisco é bege. Uma cidade grande, bege. E não cinza.

São Francisco, cidade grande e bege

E também azul, para pássaros equilibristas.

Passáros equilibristas em 25th St, São Francisco

E também de cores quentes do pôr-do-sol.

Pôr do sol no Pier 39, São Francisco

E do prata da lua também.

Lua nascendo no Pier 39, São Francisco

Novembro 5, 2009

Evolução 2.0

Dois dias de imersão total na chamada Empresa 2.0 estão queimando meus neurônios. Além de ser uma enxurrada de novas informações, é tudo em inglês, com direito a cobertura no Twitter. Somando com as seis horas de diferença de fuso de São Paulo para São Francisco, o resultado é que no final do dia não sobre ‘cabeça’ para pensar. Mas, vamos lá, sou brasileiro e não desisto nunca. E cá estou para escrever o blog, com o estômago roncando e pedindo para descer logo para o restaurante do hotel. Rapidinho, vamos lá.

Em uma das apresentações de ontem, a da IDEO, uma das melhores, o sujeito mostrou essa imagem abaixo. É uma metáfora perfeita para as mudanças que esse jeito de olhar a empresa vai trazer para o dia-a-dia de todos, principalmente dos consumidores, que estão na linha de frente dessa cobrança às empresas.

Evolução 2.0...

De tudo que ouvi, há muita coisa para digerir ainda, mas a grande sacada é que a Empresa 2.0 é um jeito de fazer em que a colaboração é central para facilitar o relacionamento entre as marcas com os consumidores.

Algumas visões sobre isso que emergiram das apresentações:

  • A primeira onda da internet foi para criar as possibilidade de comunicação e interação. A segunda onda é para maximizar a comunicação, via colaboração.
  • As iniciativas estão saindo dos repositórios de informação para os espaços de colaboração. Passa de “gestão de conhecimento” para “facilitação de fluxo de conhecimento”.
  • A colaboração não é uma questão de idade, mas sim de relevância. Em muitas das empresas, ficou claro que havia a participação de todos, do estagiário aos executivos-sêniores.
  • A colaboração ajuda a quebrar os silos das empresas. Como o problema no mundo 1.0 esteve sempre entre as áreas e não nas áreas, as oportunidades que se abrem aqui são incríveis.
  • As pessoas e o jeito de trabalhar estão se transformando independente de a empresa ajudar ou não nisso. Todos querem ter mais voz, reconhecimento e oportunidades de participar. Isso está acontecendo principalmente em função das tecnologias.

Lá vem mais um grande movimento pela frente. Com todas as oportunidades que se apresentam. Estamos falando muito (no mercado como um todo) em ‘redes sociais’, como se elas estivessem descoladas das empresas. Não. Redes sociais são os ambientes  em que as empresas terão que interagir cada vez mais. Com muita transparência e colaboração.